A DEMOCRACIA PARTICIPATIVA
Parte II - O DESPERTAR BRASILEIRO
Um
Papa sul-americano humilde, contra todas as expectativas, é eleito, e
seu primeiro compromisso de viagem internacional é ao Brasil e não à sua
pátria de origem, a Argentina. Ele vem para estar em Jornada Mundial
com a Juventude, justamente essa juventude que hoje, menos de sessenta
dias antes dessa visita mística, nos coloca em xeque, para que revejamos
o mundo em volta. E, nesse momento em que escrevo, todos os políticos,
juristas, religiosos, cientistas sociais e naturais, pessoas comuns,
escritores, brasileiros e de todos os outros países, estão atordoados,
procurando encontrar a resposta para esse fato, já agora consumado: o
nascimento de uma nova face da Nação, sob o manto da união entre todos,
iguais e desiguais, e sob a bênção do Pontífice Máximo da Doutrina do
nosso Grande Mestre, Jesus.
Estamos, todos nós, atualmente, mergulhados em um caldeirão de acontecimentos que nos deixam atordoados. E, como nos ensina a História, é nesses momentos que se dão as grandes modificações na Humanidade, sempre para melhor, como um fato determinado para uma determinante evolução a que se destinam os homens, assim como todos os seres do Universo. As Religiões alegam que se trata do fim dos tempos. Os místicos nos apontam o Apocalipse Final. Profecias, desde os antigos Maias e dos antigos Egípcios, indicam esse nosso tempo como o fim de uma Era, e dão o tempo certo, o atual solstício de inverno, como o fim de um ciclo de vida e o início de outro. Os políticos dizem que é o pós-liberalismo e indagam o que virá após ele, para governar os povos. Enfim, todos aguardam o desenrolar dos acontecimentos, sem saber exatamente do que se trata.
E eis que, coincidentemente, no Brasil, em pleno Solstício de Inverno, ocorreu, no dia 21 de Junho do corrente ano, às 2:04 h. de Brasília, quando o Planeta Terra e o Sol estão em alinhamento com o centro da Galáxia, o inusitado : as massas humanas vão às ruas das cidades do Brasil, pacificamente, ocupam praças, avenidas, estádios, procedentes de palácios e casebres, todos unidos, pedindo os direitos humanos fundamentais. Direitos estes negados por uma casta de políticos procedentes dessas mesmas massas, mas que, ao se encastelarem nos muros altos do poder humano, obtido pelo sufrágio nas urnas, como que inebriados por um alucinógeno chamado “Poder”, tornam-se pessoas diferentes, vivendo em um mundo de fantasias, criado e alimentado pelos seus Assessores e Empresários do momento, que se oferecem para levar a efeito faraônicas obras, reunidos em consórcios multinacionais, todos ávidos de agradar o “Príncipe Moderno” para dele obterem o lucro que almejam. E, assim, conseguem assenhorear-se dele que, envolto nas fraquezas naturais humanas, deixa-se enredar pela “Máquina” e passa a viver como nova versão de “Alice”, em seu “País das Maravilhas”, prisioneiro dos seus guarda-costas e de seus arautos, que não deixam ninguém se aproximar dele ou que ele saia dali. E, quando surge um acontecimento que eles não previram porque se distanciaram do seu povo e não sabem mais interpretar a sua voz, justamente a do povo que os mantém ali, sempre se sentem em atraso, tendo de correr para soluções de última hora. Isso não é um mal brasileiro, é algo real em todas as administrações públicas do Mundo, tanto Ocidental quanto Oriental. Talvez não fossem tão despreparados os antigos governantes que tinham consigo Conselheiros Magos que interpretavam sonhos e liam o futuro nos Astros, e ouviam as vozes das Pitonisas e dos Oráculos — em todos os modernos compêndios de História Antiga, tanto tradicionais quanto digitais, em face de novas descobertas, lê-se que tais pessoas ou templos eram constituídos de indivíduos muito sábios, que forneciam respostas altamente acertadas, dos quais faziam parte grandes filósofos gregos, a exemplo de Plutarco, que, durante muitos anos, foi sacerdote do Templo de Delfos, cujo Oráculo é um dos mais famosos e importantes de todos os tempos.
Todos os observadores, nacionais e internacionais, são unânimes em dizer que “o Brasil acordou”. Sim, acordou e estamos acertando os nossos relógios para os tempos dos novos dias. E eu que sempre amei muito o meu País, sinto-me muito orgulhosa por ser brasileira e fazer parte desse cadinho da humanidade que aqui vive e trabalha, pois sei que vamos encontrar a resposta, não somente para nós, mas para todos os outros povos que anseiam melhores dias: até porque nós também somos o produto de um caldeirão de misturas, de raças, religiões, nacionalidades, filosofias, culturas, amores, que formou um povo diferente, meio místico e meio cientista, que utiliza os dois lados do cérebro ao mesmo tempo, o lógico racional e o emocional. E somente um ser assim é que pode enxergar, nessa onda de ventos que sopram em nossas vidas, o material e o imaterial que acaba de nascer: sim, algo novo, que vai modificar a forma do ser humano interagir, produto da união de um mundo digital, que esclareceu e chamou os jovens e os trouxe para agir no mundo real, exortando todos para se unirem. É por isso que são apartidários, porque no mundo ideal, que , segundo Platão, é o verdadeiro, partidos não existem, eles são criação dos humanos, apenas para poderem movimentar essa grande máquina da qual somos os criadores, chamada de Estado. E sobre ele Hobbes já alertara, no século XVII, que poderia tornar-se um verdadeiro monstro enorme, versão humana do “Leviatã Bíblico”, criado por Deus para proteger o mundo e que poderia acabar por fazer-nos mal, por oposto — a criação do Estado se destinou, desde o início, a servir a todos os seus cidadãos, a fim de que as sociedades se organizem, criem regras para a convivência, forneçam os bens necessários à vida, os direitos humanos e políticos e encontrem estes a felicidade: sim, essa é a finalidade do Estado, dar a felicidade aos seus cidadãos. E, quando um povo mostra nas ruas, pacificamente, que não é feliz, porque o Estado não está atendendo a suas obrigações para com ele, a solução não é acabar com o Estado, nem acabar com o povo, pois um precisa sempre do outro, mas fazê-lo transformar-se, renovar-se , organizar-se, para conseguir sua finalidade original. O Estado, mesmo transformado num “Leviatã”, como temia Hobbes, não é um monstro que possa ser destruído, sob pena de destruição daqueles a quem deve proteger, pois a sua força se destina ao seu bem – a solução é sempre domá-lo e domesticá-lo.
E, eis, então, que, colocadas todas essas premissas, podemos saber quem está chegando: é a antiga deusa que desce impávida, alva e pura, como todo ser imaterial, incapaz de ser contaminado pelos males e defeitos humanos, eterna em seu cíclico renascimento. Renascimento, revestimento ou reaparecimento, mas não como uma criança, a exemplo dos animais e humanos como nós, mas como um adulto completo e maravilhoso, no auge de seu vigor. É a deusa Democracia que desce do Parthenon de Péricles, em sua terceira encarnação. Primeiro, surgiu da cabeça privilegiada daquele gênio polivalente da antiga Grécia, berço de homens sábios e filósofos incomparáveis que influenciaram toda a humanidade, desde então, tocados pelo sopro do saber universal que flui em ondas perceptíveis apenas para quem é predestinado aos grandes feitos em prol da evolução.
Na primeira existência, essa deusa maravilhosa, que traz a felicidade geral, foi conhecida com o nome de DEMOCRACIA DIRETA. Com a morte prematura de Péricles e a conquista de Atenas, na sangrenta Guerra do Peloponeso, pela militarista Esparta, foi-se a cultura helênica e com ela despediu-se, aparentemente para sempre, a amada dos filósofos. Era assim chamada porque o povo participava, na praça maior da Cidade-Estado, chamada de Ágora, do governo dos que tinham sido eleitos pelos cidadãos, reunindo-se (os maiores de idade) em um Conselho a céu aberto que se chamava BULÉ, no qual tomavam contas do que havia sido feito pelos seus mandatários, elogiavam-nos ou os repreendiam e até os destituíam quando havia desvios. Essa reunião era possível e eficaz porque a população da cidade não era muito grande como em nossos dias e os membros desse órgão popular cabiam no espaço público.
Muito depois, quando caíram as monarquias absolutistas, após a sangrenta revolução francesa, no século XVIII, seguindo-se outras tantas revoltas do povo contra a opressão dos governantes ou liberdade de países coloniais, quando todos clamavam aos céus e lutavam em terra por “liberdade, igualdade e fraternidade”, em meio ao caldeirão de filosofias humanistas do final do século XVIII e início do século XIX (chamado o Século das Luzes) que passaram a imperar, e ao desenvolvimento tecnológico surgido com a industrialização, eis que foi ouvido o chamado e houve uma resposta a essa luta por uma vida melhor — a antiga deusa renasceu agora vestida com o manto da DEMOCRACIA INDIRETA. Isto é, tendo a BULÉ substituída por representantes eleitos em câmaras populares e senatoriais, com um sistema de pesos e contrapesos de fiscalização mútua entre os Três Poderes em que se dividiu o Estado Moderno. Essa forma de governo funcionou muito bem até que a industrialização atingiu o seu ponto máximo e a sociedade se transformou em consumista, tendo sido desvirtuada para a DEMOCRACIA POPULAR, como sendo um oposto substitutivo ao capitalismo, adotando uma doutrina denominada comunismo como forma de economia de Estado, abafando a individualidade através do combate à livre expressão do pensamento, atingindo o livre-arbítrio, essencial à vida de um ser humano, durando pouco tempo, menos de um século. Pareceu a todos haver uma crise existencial da valorosa deusa e o Mundo mergulhou em um novo caldeirão de ideias e atos que põem em perigo a sua existência.
E eis que, ao deparar-me frente ao aparelho de televisão de minha casa, em pleno horário do noticiário noturno, há aproximadamente uma semana, foi-me exibido o maravilhoso espetáculo da massa popular jovem brasileira pacífica, exercendo o seu direito de cidadania plena, invocando, não o renascimento da DEMOCRACIA, porque ela não morreu nem foi embora, mas a sua proteção, o seu fortalecimento. Essa força jovem, com energia trazida de locais ainda ignorados por nós para proteger o ser humano, é quem pode dar à luz a mais recente versão da nossa querida deusa. E, naquele momento, uma voz vinda de algum lugar tomou conta de todo o ambiente da sala onde eu estava e sussurrou em voz clara, firme e cheia de paz, inundando o meu ser com esperança e alegria:
DEMOCRACIA PARTICIPATIVA!
Sim, essa é a nova roupagem da nossa querida protetora. O povo não mais vai à ÁGORA para reunir-se. Ele também não está se sentindo representado pelos Políticos, pois estes estão prisioneiros do partidarismo que lhes tira a personalidade em prol de uma fidelidade que a troco de pouca coisa também é trocada e mesclam os interesses populares com os interesses de apenas o funcionamento burocrático da “máquina estatal” que alimenta sua própria sobrevivência maquinicista, não se preocupando mais com a sua primeira finalidade, a de atingir a felicidade e de proteger a sociedade a que pertence.
O Estado se tornou muito grande, quase um Leviatã, e os humanos que integram a sua burocracia não conseguem fazer mais nada a não ser, como escravos ou servos, movimentá-lo para lá e para cá, de acordo com as vagas que venham sopradas pelas brisas de uma ou de várias correntes político-partidárias. E a cultura do relativismo tomou conta da classe política, confundindo os interesses partidários ou de conglomerados empresariais e multinacionais, ou mesmo o seu próprio benefício familiar ou de amigos e correligionários, com a meta de sua vida, para conseguirem sustentar esse círculo vicioso em que se transformou sua existência. E esqueceram-se das necessidades do povo, sua procedência real, de carne e osso, e passaram a pensar apenas no serviço de movimentar a enorme máquina estatal, parecendo confundir-se com ela.
Os jovens de todo o Mundo, frutos da sofrida evolução que as massas populares vêm empreendendo através desses tempos todos, apoderaram-se de outra máquina, mais acessível aos seus anseios espirituais, e orientadora de seus ideais de fraternidade e igualdade de condições e liberdade de pensamento, e resolveram dar um fim a esse entorpecimento. Com esse espírito assim esclarecido pela comunicação entre milhões deles, sacudiram ruas, avenidas e praças com seus passos firmes e seus cantos de paz, apresentando as reivindicações justas dos direitos fundamentais do ser humano a toda a máquina estatal. Eles estão, agora, participando ativamente da apresentação da nova roupagem da deusa, com novos pontos de bordados que eles mesmos estão tecendo, com a força da vontade firme de quem sabe que está certo e que sabe o que quer. E toda a sociedade aderiu a eles.
Políticos correm e retiram das gavetas do esquecimento projetos antigos e, como se tivesse havido um “abre-te Sézamo”, a Nação vê, espantada, aqui e ali, a toda hora, que faltou grandeza de estadistas aos nossos governantes, que não souberam enxergar que havia em suas mãos, há algum tempo, as chaves que poderiam ter utilizado para ter evitado tanto sofrimento para a população não participante das classes abastadas de nossos dias.
Eu acredito no jovem. É ele que tem a pujança das forças evolutivas e dos ideais da espécie. É ele que imprime novos rumos à filosofia existencial. Mas, também, é ele quem vair herdar os nossos erros e os nossos acertos. Por isso ele tem o direito natural e máximo de ir às Ruas, à Internet, e apresentar suas exigências. E por isso deve ser aplaudido. Quanto às gerações anteriores, se não souberam e ainda não aprenderam a transmitir aos seus jovens os valores pelos quais vale a pena lutar e viver, certamente estarão prestando um desserviço à Humanidade. Isso vale para qualquer lugar onde haja uma comunidade humana, no Brasil, nos outros países do Planeta e em outros Mundos que acaso venhamos a encontrar em nosso Universo nessa senda que estamos empreendendo rumo ao Cosmos, onde se possa encontrar representantes da nossa espécie. É essa capacidade que nos imprime respeitabilidade perante qualquer eventualidade com que venhamos a nos deparar.
Nesse momento, é o nosso jovem quem traz a chave para abertura do grande cofre das atividades sociais de nosso tempo. Cabe aos dirigentes do País bem utilizá-la. Esperemos que não abram com ela o cofre errado, transformando tudo em volta em uma grande “Caixa de Pandora”. Não somente lhes cabe “ouvir a voz das ruas”, mas sim e principalmente “interpretar o que ela diz” e ser capaz de “dar a resposta certa e adequada” que ela aguarda, pacífica e esperançosa. Nesse momento, em que não somos mais jovens e não fazemos parte da elite governante, mas que temos adquirido o conhecimento necessário para a interpretação dos momentos sociais humanos, cabe-nos a todos auxiliar no processo já iniciado, pois ele é de todos e para todos, oferecendo nossos serviços e rezando aos Céus, nessas horas de solstício de inverno do ano de 2013, que iluminem as suas decisões.
Estamos, todos nós, atualmente, mergulhados em um caldeirão de acontecimentos que nos deixam atordoados. E, como nos ensina a História, é nesses momentos que se dão as grandes modificações na Humanidade, sempre para melhor, como um fato determinado para uma determinante evolução a que se destinam os homens, assim como todos os seres do Universo. As Religiões alegam que se trata do fim dos tempos. Os místicos nos apontam o Apocalipse Final. Profecias, desde os antigos Maias e dos antigos Egípcios, indicam esse nosso tempo como o fim de uma Era, e dão o tempo certo, o atual solstício de inverno, como o fim de um ciclo de vida e o início de outro. Os políticos dizem que é o pós-liberalismo e indagam o que virá após ele, para governar os povos. Enfim, todos aguardam o desenrolar dos acontecimentos, sem saber exatamente do que se trata.
E eis que, coincidentemente, no Brasil, em pleno Solstício de Inverno, ocorreu, no dia 21 de Junho do corrente ano, às 2:04 h. de Brasília, quando o Planeta Terra e o Sol estão em alinhamento com o centro da Galáxia, o inusitado : as massas humanas vão às ruas das cidades do Brasil, pacificamente, ocupam praças, avenidas, estádios, procedentes de palácios e casebres, todos unidos, pedindo os direitos humanos fundamentais. Direitos estes negados por uma casta de políticos procedentes dessas mesmas massas, mas que, ao se encastelarem nos muros altos do poder humano, obtido pelo sufrágio nas urnas, como que inebriados por um alucinógeno chamado “Poder”, tornam-se pessoas diferentes, vivendo em um mundo de fantasias, criado e alimentado pelos seus Assessores e Empresários do momento, que se oferecem para levar a efeito faraônicas obras, reunidos em consórcios multinacionais, todos ávidos de agradar o “Príncipe Moderno” para dele obterem o lucro que almejam. E, assim, conseguem assenhorear-se dele que, envolto nas fraquezas naturais humanas, deixa-se enredar pela “Máquina” e passa a viver como nova versão de “Alice”, em seu “País das Maravilhas”, prisioneiro dos seus guarda-costas e de seus arautos, que não deixam ninguém se aproximar dele ou que ele saia dali. E, quando surge um acontecimento que eles não previram porque se distanciaram do seu povo e não sabem mais interpretar a sua voz, justamente a do povo que os mantém ali, sempre se sentem em atraso, tendo de correr para soluções de última hora. Isso não é um mal brasileiro, é algo real em todas as administrações públicas do Mundo, tanto Ocidental quanto Oriental. Talvez não fossem tão despreparados os antigos governantes que tinham consigo Conselheiros Magos que interpretavam sonhos e liam o futuro nos Astros, e ouviam as vozes das Pitonisas e dos Oráculos — em todos os modernos compêndios de História Antiga, tanto tradicionais quanto digitais, em face de novas descobertas, lê-se que tais pessoas ou templos eram constituídos de indivíduos muito sábios, que forneciam respostas altamente acertadas, dos quais faziam parte grandes filósofos gregos, a exemplo de Plutarco, que, durante muitos anos, foi sacerdote do Templo de Delfos, cujo Oráculo é um dos mais famosos e importantes de todos os tempos.
Todos os observadores, nacionais e internacionais, são unânimes em dizer que “o Brasil acordou”. Sim, acordou e estamos acertando os nossos relógios para os tempos dos novos dias. E eu que sempre amei muito o meu País, sinto-me muito orgulhosa por ser brasileira e fazer parte desse cadinho da humanidade que aqui vive e trabalha, pois sei que vamos encontrar a resposta, não somente para nós, mas para todos os outros povos que anseiam melhores dias: até porque nós também somos o produto de um caldeirão de misturas, de raças, religiões, nacionalidades, filosofias, culturas, amores, que formou um povo diferente, meio místico e meio cientista, que utiliza os dois lados do cérebro ao mesmo tempo, o lógico racional e o emocional. E somente um ser assim é que pode enxergar, nessa onda de ventos que sopram em nossas vidas, o material e o imaterial que acaba de nascer: sim, algo novo, que vai modificar a forma do ser humano interagir, produto da união de um mundo digital, que esclareceu e chamou os jovens e os trouxe para agir no mundo real, exortando todos para se unirem. É por isso que são apartidários, porque no mundo ideal, que , segundo Platão, é o verdadeiro, partidos não existem, eles são criação dos humanos, apenas para poderem movimentar essa grande máquina da qual somos os criadores, chamada de Estado. E sobre ele Hobbes já alertara, no século XVII, que poderia tornar-se um verdadeiro monstro enorme, versão humana do “Leviatã Bíblico”, criado por Deus para proteger o mundo e que poderia acabar por fazer-nos mal, por oposto — a criação do Estado se destinou, desde o início, a servir a todos os seus cidadãos, a fim de que as sociedades se organizem, criem regras para a convivência, forneçam os bens necessários à vida, os direitos humanos e políticos e encontrem estes a felicidade: sim, essa é a finalidade do Estado, dar a felicidade aos seus cidadãos. E, quando um povo mostra nas ruas, pacificamente, que não é feliz, porque o Estado não está atendendo a suas obrigações para com ele, a solução não é acabar com o Estado, nem acabar com o povo, pois um precisa sempre do outro, mas fazê-lo transformar-se, renovar-se , organizar-se, para conseguir sua finalidade original. O Estado, mesmo transformado num “Leviatã”, como temia Hobbes, não é um monstro que possa ser destruído, sob pena de destruição daqueles a quem deve proteger, pois a sua força se destina ao seu bem – a solução é sempre domá-lo e domesticá-lo.
E, eis, então, que, colocadas todas essas premissas, podemos saber quem está chegando: é a antiga deusa que desce impávida, alva e pura, como todo ser imaterial, incapaz de ser contaminado pelos males e defeitos humanos, eterna em seu cíclico renascimento. Renascimento, revestimento ou reaparecimento, mas não como uma criança, a exemplo dos animais e humanos como nós, mas como um adulto completo e maravilhoso, no auge de seu vigor. É a deusa Democracia que desce do Parthenon de Péricles, em sua terceira encarnação. Primeiro, surgiu da cabeça privilegiada daquele gênio polivalente da antiga Grécia, berço de homens sábios e filósofos incomparáveis que influenciaram toda a humanidade, desde então, tocados pelo sopro do saber universal que flui em ondas perceptíveis apenas para quem é predestinado aos grandes feitos em prol da evolução.
Na primeira existência, essa deusa maravilhosa, que traz a felicidade geral, foi conhecida com o nome de DEMOCRACIA DIRETA. Com a morte prematura de Péricles e a conquista de Atenas, na sangrenta Guerra do Peloponeso, pela militarista Esparta, foi-se a cultura helênica e com ela despediu-se, aparentemente para sempre, a amada dos filósofos. Era assim chamada porque o povo participava, na praça maior da Cidade-Estado, chamada de Ágora, do governo dos que tinham sido eleitos pelos cidadãos, reunindo-se (os maiores de idade) em um Conselho a céu aberto que se chamava BULÉ, no qual tomavam contas do que havia sido feito pelos seus mandatários, elogiavam-nos ou os repreendiam e até os destituíam quando havia desvios. Essa reunião era possível e eficaz porque a população da cidade não era muito grande como em nossos dias e os membros desse órgão popular cabiam no espaço público.
Muito depois, quando caíram as monarquias absolutistas, após a sangrenta revolução francesa, no século XVIII, seguindo-se outras tantas revoltas do povo contra a opressão dos governantes ou liberdade de países coloniais, quando todos clamavam aos céus e lutavam em terra por “liberdade, igualdade e fraternidade”, em meio ao caldeirão de filosofias humanistas do final do século XVIII e início do século XIX (chamado o Século das Luzes) que passaram a imperar, e ao desenvolvimento tecnológico surgido com a industrialização, eis que foi ouvido o chamado e houve uma resposta a essa luta por uma vida melhor — a antiga deusa renasceu agora vestida com o manto da DEMOCRACIA INDIRETA. Isto é, tendo a BULÉ substituída por representantes eleitos em câmaras populares e senatoriais, com um sistema de pesos e contrapesos de fiscalização mútua entre os Três Poderes em que se dividiu o Estado Moderno. Essa forma de governo funcionou muito bem até que a industrialização atingiu o seu ponto máximo e a sociedade se transformou em consumista, tendo sido desvirtuada para a DEMOCRACIA POPULAR, como sendo um oposto substitutivo ao capitalismo, adotando uma doutrina denominada comunismo como forma de economia de Estado, abafando a individualidade através do combate à livre expressão do pensamento, atingindo o livre-arbítrio, essencial à vida de um ser humano, durando pouco tempo, menos de um século. Pareceu a todos haver uma crise existencial da valorosa deusa e o Mundo mergulhou em um novo caldeirão de ideias e atos que põem em perigo a sua existência.
E eis que, ao deparar-me frente ao aparelho de televisão de minha casa, em pleno horário do noticiário noturno, há aproximadamente uma semana, foi-me exibido o maravilhoso espetáculo da massa popular jovem brasileira pacífica, exercendo o seu direito de cidadania plena, invocando, não o renascimento da DEMOCRACIA, porque ela não morreu nem foi embora, mas a sua proteção, o seu fortalecimento. Essa força jovem, com energia trazida de locais ainda ignorados por nós para proteger o ser humano, é quem pode dar à luz a mais recente versão da nossa querida deusa. E, naquele momento, uma voz vinda de algum lugar tomou conta de todo o ambiente da sala onde eu estava e sussurrou em voz clara, firme e cheia de paz, inundando o meu ser com esperança e alegria:
DEMOCRACIA PARTICIPATIVA!
Sim, essa é a nova roupagem da nossa querida protetora. O povo não mais vai à ÁGORA para reunir-se. Ele também não está se sentindo representado pelos Políticos, pois estes estão prisioneiros do partidarismo que lhes tira a personalidade em prol de uma fidelidade que a troco de pouca coisa também é trocada e mesclam os interesses populares com os interesses de apenas o funcionamento burocrático da “máquina estatal” que alimenta sua própria sobrevivência maquinicista, não se preocupando mais com a sua primeira finalidade, a de atingir a felicidade e de proteger a sociedade a que pertence.
O Estado se tornou muito grande, quase um Leviatã, e os humanos que integram a sua burocracia não conseguem fazer mais nada a não ser, como escravos ou servos, movimentá-lo para lá e para cá, de acordo com as vagas que venham sopradas pelas brisas de uma ou de várias correntes político-partidárias. E a cultura do relativismo tomou conta da classe política, confundindo os interesses partidários ou de conglomerados empresariais e multinacionais, ou mesmo o seu próprio benefício familiar ou de amigos e correligionários, com a meta de sua vida, para conseguirem sustentar esse círculo vicioso em que se transformou sua existência. E esqueceram-se das necessidades do povo, sua procedência real, de carne e osso, e passaram a pensar apenas no serviço de movimentar a enorme máquina estatal, parecendo confundir-se com ela.
Os jovens de todo o Mundo, frutos da sofrida evolução que as massas populares vêm empreendendo através desses tempos todos, apoderaram-se de outra máquina, mais acessível aos seus anseios espirituais, e orientadora de seus ideais de fraternidade e igualdade de condições e liberdade de pensamento, e resolveram dar um fim a esse entorpecimento. Com esse espírito assim esclarecido pela comunicação entre milhões deles, sacudiram ruas, avenidas e praças com seus passos firmes e seus cantos de paz, apresentando as reivindicações justas dos direitos fundamentais do ser humano a toda a máquina estatal. Eles estão, agora, participando ativamente da apresentação da nova roupagem da deusa, com novos pontos de bordados que eles mesmos estão tecendo, com a força da vontade firme de quem sabe que está certo e que sabe o que quer. E toda a sociedade aderiu a eles.
Políticos correm e retiram das gavetas do esquecimento projetos antigos e, como se tivesse havido um “abre-te Sézamo”, a Nação vê, espantada, aqui e ali, a toda hora, que faltou grandeza de estadistas aos nossos governantes, que não souberam enxergar que havia em suas mãos, há algum tempo, as chaves que poderiam ter utilizado para ter evitado tanto sofrimento para a população não participante das classes abastadas de nossos dias.
Eu acredito no jovem. É ele que tem a pujança das forças evolutivas e dos ideais da espécie. É ele que imprime novos rumos à filosofia existencial. Mas, também, é ele quem vair herdar os nossos erros e os nossos acertos. Por isso ele tem o direito natural e máximo de ir às Ruas, à Internet, e apresentar suas exigências. E por isso deve ser aplaudido. Quanto às gerações anteriores, se não souberam e ainda não aprenderam a transmitir aos seus jovens os valores pelos quais vale a pena lutar e viver, certamente estarão prestando um desserviço à Humanidade. Isso vale para qualquer lugar onde haja uma comunidade humana, no Brasil, nos outros países do Planeta e em outros Mundos que acaso venhamos a encontrar em nosso Universo nessa senda que estamos empreendendo rumo ao Cosmos, onde se possa encontrar representantes da nossa espécie. É essa capacidade que nos imprime respeitabilidade perante qualquer eventualidade com que venhamos a nos deparar.
Nesse momento, é o nosso jovem quem traz a chave para abertura do grande cofre das atividades sociais de nosso tempo. Cabe aos dirigentes do País bem utilizá-la. Esperemos que não abram com ela o cofre errado, transformando tudo em volta em uma grande “Caixa de Pandora”. Não somente lhes cabe “ouvir a voz das ruas”, mas sim e principalmente “interpretar o que ela diz” e ser capaz de “dar a resposta certa e adequada” que ela aguarda, pacífica e esperançosa. Nesse momento, em que não somos mais jovens e não fazemos parte da elite governante, mas que temos adquirido o conhecimento necessário para a interpretação dos momentos sociais humanos, cabe-nos a todos auxiliar no processo já iniciado, pois ele é de todos e para todos, oferecendo nossos serviços e rezando aos Céus, nessas horas de solstício de inverno do ano de 2013, que iluminem as suas decisões.

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