segunda-feira, 9 de setembro de 2013

ANTROPOCENTRISMO - O EQUÍVOCO HUMANO


ANTROPOCENTRISMO – O EQUÍVOCO HUMANO
 
                                        


 
1. Introdução

 
            No fim do século XV, notadamente com a redescoberta e o desenvolvimento das séries matemáticas de Fibonacci, onde aparece  a “razão áurea” , ou “razão divina”, muitos estudos se fizeram sobre a sua incidência em  seres da natureza. E é nesse período  que  o italiano Leonardo Da Vinci, reconhecido como o maior gênio da humanidade por grande parte  das pessoas, elabora  o famoso desenho onde obtém a  quadratura do círculo através de medidas do corpo humano (“O homem de Vitruvius”). Não se trata da quadratura do círculo por equações matemáticas na forma proposta por Euclides  em seu famoso teorema, não tendo nenhum cientista, até hoje, logrado resolvê-lo  com régua e compasso —  foi utilizada, pelo gênio italiano , essa constante transcendental, símbolo da assinatura  da perfeição de Deus, o que significa dizer que o resultado da equação é inconclusivo, pois tende para o infinito.

              É oportuno chamar a atenção para essa aparente  incongruência :   foram  os mais  representativos  seguidores do  movimento humanista da Idade Média, que pretenderam a separação absoluta entre  a Ciência e a  Teologia, admitindo como verdade apenas o que é passível de prova,  que foram  buscar nela  um fundamento de perfeição (assinatura divina) para alçar o ser humano a uma posição paradigmática  em relação a tudo o que existe . E esse seria o fundamento de  uma pretensa perfeição do ser humano, agora exaltada , mas ainda  uma perfeição à semelhança da perfeição divina (a tendência   de todos os seres de  procurarem a sua perfeição em uma semelhança à perfeição divina, conforme explica  Tomás de Aquino, é que criaria uma escala de valores para aquilatar  essa aproximação  e o homem, como espécie, é que seria o  componente máximo do seu topo – isto é, Deus como  a perfeição do mundo imaterial e o ser humano como  a perfeição do mundo material . Posições paralelas, pois).
 
 
  
2. O Antropocentrismo a partir do Renascimento

             Por outro lado, a origem desse antropocentrismo cultural se dá, também, em resumo, em razão da mesma ideia de imagem e semelhança a Deus, conforme  narrado no Gênesis dos  Livros Sagrados das três maiores religiões do mundo : o Cristianismo, o Islamismo e o Judaísmo.

             Se não  entendermos a continuidade da ideia de antropocentrismo fincada  na noção de arquétipo, segundo Jung, em tudo isso nos parecerá muito estranha  a permanência  do paradigma humano, até  nos meios intelectuais,  nos dias de hoje, onde o materialismo racional  aponta para  vertente  diversa da  idéia da existência de um ser eterno superior  a tudo e criador de todas as coisas – ou seja, se é negada  a fonte de referência, deve forçosamente ser negada  a qualidade do referenciado, baseada nela , pois , sendo negativa a premissa maior do silogismo, a premissa menor, que nega a negação, consequentemente terá como  resultado uma conclusão insubsistente.  Este é o caso, a nosso ver, da inconsistência da afirmação  do antropocentrismo, em âmbito científico : trata-se de   uma  premissa teológica, que não se coaduna a postulados  da pesquisa  empírica, de acordo com o  raciocínio científico lógico.

              Notadamente  em nossos dias, dentro de uma filosofia materialista  racional  mais forte e  dominante do que nunca, é pelo menos excepcional que   um princípio religioso sirva  de  base para  uma afirmação  científica. A não ser que optemos pela conclusão de que  esse pensamento persiste em razão de uma arrogância humana, que pode ser muito negativa até para  a manutenção do equilíbrio de sua psique ao contemplar a imensidão do Universo.

             Diga-se, “en passant”, que todos os humanos  que tiveram a oportunidade, na qualidade de astronautas ou cosmonautas, de viajar em naves espaciais, em todas as suas entrevistas , afirmaram ter havido uma grande modificação  em seu modo de encarar a vida , tornando-se pessoas  altamente espiritualizadas, transmitindo  a mensagem da necessidade de paz e harmonia entre  nós. Mesmo nós outros, ao contemplarmos as maravilhosas fotos  divulgadas pela NASA, enviadas pelo telescópio Hubble, além de deslumbrados, somos remetidos a intensas indagações existenciais, colocando  em dúvida alguns dos princípios  que nos foram transmitidos pela Biologia .E somos levados, nessas ocasiões,  mesmo involuntariamente, a pensar sobre algumas passagens bíblicas — não com a ideia infantil de um  humanoide determinando “Fiat Lux”, mas com um olhar  racional à procura de entrelinhas que nos conduzam à interpretação de muitas mensagens  cifradas nas mensagens bíblicas que possam  ali ser encontradas. Alguns cientistas já procuram estabelecer uma relação entre  o que está ali escrito e programas de computação digital da atualidade, como códigos  cifrados de acontecimentos futuros, como temos   tido notícias  através de canais de divulgação científica  de televisão e de  Internet. 
                                                                     
 
 
3. O “Ser”, o “Querer Ser” e o “Dever Ser” Humanos

             O que o ser humano é, o “ser”, não se altera pelo simples fato de um  querer ser”, em uma determinada época ou local. Mesmo que se force um raciocínio, para justificar um “querer ser”, não se conseguirá forçar a realidade – é mais  racional e científico adequar-se a ocorrência, ou o indivíduo analisado, às  circunstâncias existentes e, não, o contrário.
 
             Qualquer pessoa  que observe o ser humano  com um olhar filosófico, desprovido das  paixões  ideológicas, há de reconhecer uma  constante existencial de igualdade  em todas as raças  , quer em nossa sociedade ocidental, quer oriental ou aborígenes — isso já está comprovado cientificamente  pelo olhar frio dos instrumentos tecnológicos que pesquisam o  DNA (sigla de “ácido  desoxirribonucleico” em inglês) cuja molécula é  responsável pela  transmissão das características genéticas a um indivíduo. E, por outro lado, a  grande semelhança  do corpo e do organismo humanos com  os dos outros seres de nossa realidade (a teoria evolucionista  traz a ideia da sua procedência  muito humilde,  a partir de um animal em um nível  inferior na escala evolucionária em nosso planeta) – até mesmo com  as cadeias  de DNA  da maioria dos animais, desde  de micróbios primitivos – , fornece a ideia de composição  a partir de um  mesmo princípio natural.
 
            Desejar ver-se como o  resultado máximo da criação ,  individual  ou  coletivamente, não  implica que  alguém o seja, quer em relação aos outros  humanos, quer em relação  a todos  os outros seres, conhecidos ou desconhecidos ainda.
                
                             
            O “dever ser” se refere ao estabelecimento ou restabelecimento de  premissas lógicas e  existenciais que conduzam  o indivíduo analisado à realidade do  seu “ser”. Diz respeito à “potência”, que tem em si a possibilidade de “ser” determinada coisa.
 
           E, assim colocados os três aspectos  abordados em nosso tema,  a realidade final do “ser”,  a partir do “dever ser” , independente do  “querer ser” humano, continuamos nossa análise, para entendermos , afinal, se  o homem já chegou, no estágio atual do seu desenvolvimento intelectivo e espiritual , à realidade que  se poderia imaginar como um produto final da potencialidade inicial e ideal.

            Um princípio básico para se deduzir se um “ser” atingiu  a sua condição de “ato” final, sem potencialidade para se tornar mais alguma coisa a partir  da sua condição atual, é saber-se se ele está completo em si mesmo. Em outras palavras, ao nos referirmos ao ser humano, dotado da capacidade de entender o que significa a plenitude de si mesmo e de se conduzir de acordo com esse conhecimento, deve-se dizer que ele terá alcançado  esse momento de glória quando se sentir feliz. E será o ser humano, agora, feliz, com todo o desenvolvimento tecnológico e facilidades existenciais alcançados até hoje? Isto é, terá ele encontrado a sua essência?
                                                          

             Pode-se dizer que  algo  ou algum  ser é  a extremidade  final de uma cadeia  sequencial de  ato-potência-ato – etc., quando  sua natureza não permite a sua transformação em outra coisa ou  em outro ser , tanto sob uma visão ateísta quanto teísta :

 
 
  visão ateísta
 
 
  “∞... potência-ato-potência-ato... ∞”
                                             
 
   visão teísta
 
 
“Ato Puro” potênciaatopotência ato........∞”


 4. Hipóteses sobre a origem do Homem na Terra


            No caso humano, de acordo com a mais célebre e aceita teoria evolutiva, a de Charles Darwin ainda é guardada a estampa de sua origem humilde em seu organismo material, carecendo, ainda, de  aperfeiçoamento. E se , em sua  essência  psíquica ,  é livre  ou não da  influência da insignificante criatura de onde  evoluiu, então se poderá  aquilatar a sua fase evolucionária.
                                                         
 
            A  outra  hipótese , que é firme em dizer que  o homem é  um  produto perfeito e acabado, desde o seu início,  não havendo em si qualquer resquício de algum ser inferior, é a do criacionismo religioso,  não aceita mais pela maioria dos meios científicos.

             Tanto faz  se abraçar os princípios de  uma teoria ou outra  sobre a  origem do homem moderno (evolucionismo ou criacionismo), havemos de reconhecer que, produto evolucionário ou do  início adâmico do Gênesis, o seu  “querer ser”, por um passe de mágica , não conseguiu  sua completude   em si mesmo, não tendo conseguido ir até o seu “ser” final  e definitivo — e, insaciado em seu desejo de autoafirmação, não é  feliz.

             Procuramos, em nossa exposição, manter-nos distantes  de um posicionamento a favor de uma ou de outra teoria sobre a forma como se deu  o surgimento do ser  humano  na face do nosso planeta, pois o ponto  abordado  no  Restitucionismo  não diz respeito  apenas ao ser humano, mas  admite a fase criacionista  não apenas em relação à nossa natureza planetária, em uma amplitude  multiuniversal, diverso pois do criacionismo segundo o Gênesis: a nossa visão  do criacionismo é  a de  um evento impulsionador e precedente  dos ciclos evolucionários, nos quais  estaria encaixado o surgimento  de todas as diversas formas de vida em nosso ambiente denso. É, assim, um conceito misto, com nuances de princípios próprios, dentro de conceitos teóricos  conhecidos. E sob esse aspecto, incumbe abordar   esses temas,  relativos às  condições de plenitude  de um ser .

             Um ponto interessante, em tudo isso, é uma  observação do favorecimento da ideia platônica da diferença da alma humana em relação à dos animais, conforme a afirmação do Livro de Gênesis, do Antigo Testamento da Bíblia, de que, no ser humano, foi-lhe colocado pelas narinas um “fôlego da vida” (Gênesis,2,7), o que diferenciaria sua alma das dos demais  seres  da nossa realidade ambiental. Esse pormenor é existente no criacionismo, mas francamente  negado no  evolucionismo : embora , por este,  o homem moderno teria decorrido de uma mutação genética a partir de um primata animalesco, também  aponta sua supremacia sobre todos os outros seres.

              A favor da ideia  de um  criacionismo inicial , é conveniente  recordar-se que, em várias épocas da história humana, em locais diversos, teorias  similares   eclodiram e não se há de dizer que isso seria uma  coincidência, pois são fatos  sociológicos e   antropológicos, pesquisados cientificamente, e, não ,da  imponderabilidade, da casualidade, mas, sim , de uma constante  invariável da explicação  da origem  humana. Até mesmo porque várias dessas civilizações não mantiveram contato entre si, nem tiveram conhecimento umas das outras.
 
             A constante  específica sobre a origem criacionista  do homem moderno  na Terra se encontra  ainda  (a)  não por Deus:  na  teoria  do cientista Zecharia Sitchin,(1) baseada  nas tábuas  sumérias, que traduziu, onde é afirmada  uma manipulação genética de um hominídeo , por seres de tecnologia superior, de outro planeta, resultando no híbrido “Adamo” como denominado por aquela antiga civilização, que teria dado origem ao “homem” e  (b) com  o advento da teoria do Evolucionismo, de Charles Darwin, de qualquer forma ainda não provada, à falta, principalmente, do “elo perdido” e  da experimentação em um universo  de maior dimensão do que a Ilha de Galápagos. As outras  teorias que apareceram, menos divulgadas, não trazem em si uma negação  explícita da possibilidade de uma intervenção transcendente à realidade  ambiental, no aparecimento da espécie humana na Terra, mas dizem respeito à origem genérica do todos os seres existentes nela, atualmente.

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(1) Zecharia Sitchin. Era graduado na School of Economics, da Universidade de Londres.  Nasceu em Baku, no Azerbaijão, radicando-se, depois, em Israel e, por fim, nos Estados Unidos, residente em Nova York. Profundo  conhecedor e erudito  na História dos povos antigos  e na  Bíblia Cristã, possuía fluência na escrita cuneiforme dos antigos sumérios, sendo autoridade  requisitada por governos para  assessoria no assunto. Entre as diversas tábuas que descrevem a Cosmologia  daquele povo, encontrou narrativas  que o levaram  a  elaborar sua teoria, sobre a origem do ser humano atual : seria  decorrente de engenharia genética, praticada por uma raça  extraterrestre tecnologicamente muito avançada , a partir do cruzamento de seus genes com os  do Homo Erectus, cerca de 450.000 anos atrás. Seriam esses viajantes cósmicos os seres que, nos mitos sumérios, eram chamados  de Annunaki (vindos do céu) , procedentes de um planeta desconhecido por nós, o Nibiru. A busca por um planeta transplutoniano, por T.C.Van Flandern, do Observatório Naval dos EUA, cuja existência muitos astrônomos afirmam, é a tese em que  Sitchin se apoia para justificar sua teoria, exposta na série de livros “Crônicas da Terra”, que não tem aceitação em grande parte dos meios científicos. Fonte:  http://pt.wikipedia.org/wiki/Zecharia_Sitchin

 NOTA : Este texto é um excerto das páginas 90-95  do livro "Teoria da Restituição - O Direito do Futuro (A nova etapa evolucionária humana : A Filosofia, as Leis e as Ciências)", da autora. 

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