sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

O PODER, O SER HUMANO E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS


O PODER, O SER HUMANO E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS



A Sombra
                                         
   1. Introdução    
                     Vou falar genericamente sobre problemas  próprios do ser humano, que podem levar  governantes a praticarem  atos  contra  os cidadãos que governam (como ocorre hoje  em vários países, emergentes ou não), de uma violência espantosa e nefasta aos fins do Estado de Direito, chegando a causar repulsa aos demais membros da   ordem mundial e  causando  terror aos que a eles assistem pela Internet ou pela mídia televisiva.

                    Trata-se, também aqui, de uma tentativa de nos aproximar de um entendimento dos  princípios que norteiam todas as novas manifestações das sociedades em  vários países, tanto do Ocidente quanto do Oriente, em que é demonstrado um descontentamento  incondicionado das populações com o status quo das administrações dos  vários  Estados que as contêm. Elas guardam semelhança tanto em relação à forma dos  protestos, quanto em relação à forma de serem reprimidos : iniciam-se pacíficas,  tendo como estopim algum acontecimento pontual que se soma ao potencial descontentamento preexistente na maioria dos setores sociais e, dada a reação desproporcional  das forças governamentais, nas mais das vezes violenta, fogem ao controle e se inicia quase que uma guerra civil, quando não chega até ela, como ocorre na Síria até hoje, em níveis que horrorizam a todas as outras Nações. Em prosseguimento aparecem aqui e ali, posteriormente, outras manifestações, desta feita já com indícios de violência por parte de integrantes da própria sociedade que dela reclama, enquanto os manifestantes pacíficos ou desaparecem ou se transformam em edições violentas de uma nova forma de protestar, chegando, por vezes, à situação de vandalismo.
                        A primeira tarefa que nos cabe e a primeira dificuldade que se nos depara  para a teorização do tema é a necessidade de classificação do conceito desse comportamento desviante da conduta desejável em uma sociedade, desde que  normalmente administrada. Essa necessidade  primária ocorre por dois motivos:
                                    - primeiro, porque a definição  de um conceito é, na sua própria medida, a construção do nosso objeto de análise, essencialmente estratégica porque é através dela que “abrimos os olhos”  para a realidade; e, citando  Robert Merton, “nós reagimos, não à situação real, mas à situação conceitualizada” (*);
                                   - segundo, porque, de qualquer forma,  ensina-nos a teoria metodológica  que a clarificação de um conceito-chave é, em si mesma, a base para a reformulação de correlações hipotéticas inéditas  até então, assim como para a formulação de sub-hipóteses  e escolha de variáveis até então desconhecidas nas atitudes comuns de grandes contingentes sociais em vários segmentos humanos que não guardam entre si qualquer vínculo de subordinação ou  história  sócio-evolutiva em comum;
                                 - terceiro, porque, como já nos indicava Plutarco, em seu célebre trabalho contido no livro “Vidas Paralelas” : “ O varão ilustre pode ser fruto da educação e do ambiente, mas não é um joguete dos fatos. Estes não passam de consequência lógica, “necessária" (anankia) daquela energia complexa, muitas  vezes inapreensível , que flui da estrutura ética do indivíduo ... o homem é anterior ao empreendimento, está votado  ao empreendimento pela fatalidade  mesma daquilo que é . O vir-a-ser nunca o modifica: Sila, até o último instante, é o Sila implacável e atroz das primeiras aventuras políticas ao lado  de Mário " (**) .
 

                      Assim, para entendermos fatos do presente, é sempre importante revermos ocorrências do passado, eis que a estrutura do ser humano não se modificou e as sociedades que organiza sempre guardam, desde os tempos antigos,  as semelhanças decorrentes das influências individuais sobre o coletivo e vice-versa, mais uma vez  invocando, nesse particular, o comentário de Matos Peixoto às observações de Plutarco sobre as vidas dos grandes influenciadores das diversas sociedades do seu tempo, que guardam paralelismo existencial e de influência sobre os outros homens distanciados dele mesmo e  entre si pelo  tempo e pelo local em que viveram.
                   Talvez falte aos atuais Homens de Estado  uma amplitude de visão das ocorrências mundiais, um estudo ao menos superficial das verdades históricas a nortearem sua conduta,  com uma projeção de um futuro desejável e provável, ou seja, o conhecimento da realidade passado-presente e  de um planejamento adequado para uma realidade futura adequada ao que se deseja como bem-estar social. Isso é muito necessário a um governante,  como  até mesmo  para o dirigente de um grande conglomerado  empresarial (os chamados  homens de visão,  visão essa tão necessária para a boa condução dos negócios) . De qualquer sorte, o Mundo se ressente da  falta, em nossa atual geração de políticos, no Ocidente e quiçá no Oriente, de  Grandes Estadistas, de  Grandes Líderes Mundiais,  que somente apareceram  até o último terço  do século passado. Vejamos, então, como esses Grandes  Líderes e Estadistas  observavam as sábias colocações de  Plutarco:
                       Moralista na mais alta acepção do termo, o historiador grego tem propiciado boa escola aos chefes de homens que tiveram a ventura de viver depois dele. Nenhum estadista de sucesso, de Marco Aurélio a Winston Churchill, deixou de lê-lo e compreendê-lo. Nunca deixou de encontrar nele inspiração e advertência. Se, em nossos dias, a inépcia dos governantes anda a provocar tantos destemperos e tantas perplexidades, é que a reflexão histórica tem estado ausente de sua preparação político-cultural.
                     Plutarco escreve para o homem “político”, na acepção aristotélica. Vale dizer, não compreende o homem a não ser em sua inserção social, onde atinge a plenitude de suas faculdades e se torna a  “maravilha maior” de que falava Sófocles. (***) 
                    E é  atendendo a esse ponto de observação  ensinado por  Plutarco em sua  inestimável obra histórica, que passo a analisar os fatos de hoje, auxiliada pelos elementos elucidativos que a Sociologia e Psicologia, modernas armas do investigador atual, nos fornecem.


 
2. O Homem e suas Circunstâncias
       
                      Carl Gustav Jung, explica a multiplicidade  de escolhas  dos atos em um ser humano, provocadas por impulsos do inconsciente, o que vem a ter como consequência as várias facetas da personalidade humana individual. A propósito foram levados a efeito dois filmes excelentes, que não são do tempo dos mais jovens, os quais  abordaram o tema e podem ser descritos em páginas da Internet. Se você desejar  se aprofundar no assunto, pode procurar na Internet  por  : “As Duas Faces de Eva” , que aborda a dupla personalidade como um fenômeno  normal em  uma pessoa comum e “O Médico e o Monstro”, que apresenta a dissociação da personalidade de um  intelectual e cientista,  da bondosa e íntegra pessoa de Dr. Jekyll, para a  convivência e coexistência  com o  pervertido Mr. Hyde, como componentes da mesma pessoa.
                     Coloquei na postagem anterior (de 13 do corrente)  o texto explicativo do renomado criador da Psicologia Analítica .   Poderia parecer que não houvesse um elo entre aquele texto e o que estou a escrever hoje. Mas coloquei-o ali justamente para lhe dar um destaque especial,  assim como foi especialmente ilustrativo para o meu trabalho de hoje,  que se refere à procura do entendimento do  mecanismo  disparado no inconsciente dos indivíduos que atingem o “Poder”, em qualquer estágio ou grau de abrangência, como também, sob outro ponto de vista, daqueles que se reúnem em multidões para oferecer-lhes protestos.  Mas o meu foco, hoje, é quanto ao indivíduo que  o alcança e o exerce.

                    Faço, dessa forma,  uma breve análise de como os atos decorrentes  do Poder em mãos do ser humano, genericamente,  apresentam-se em nossa realidade sensorial, após a elaboração psíquica do indivíduo, a que não temos acesso, nos casos concretos. Ora se apresentam como atitudes extremamente éticas, ora como  atos  destrutivos do entorno social, que atingem o todo ou parte dele. Algumas vezes o indivíduo chega, até mesmo,   ao ponto de  fazer uso dos atos  mais torpes e cruéis,  quando o detém, e  mesmo para conservá-lo em um único governante   absolutista ou em um  determinado partido político que alcançou o poder por meio de sufrágio popular. 

                    Observamos, então, que há   uma diversidade  de reações ao "Poder".   E podemos apreciar, através da História, as suas  mais diversas formas, que vão  de atos sublimes de renúncia e dedicação, até aqueles  de corrupção material ou  imaterial (compra e venda,  com dinheiro ou vantagens materiais e políticas e de carreira no Governo,  de auxiliares que sejam capazes de ajuda-lo incondicionalmente), chegando mesmo ao  envolvimento dos seus detentores  em completa loucura e genocídio (como exemplos recentes, temos os mais conhecidos  : Hitler, na Europa, e Pol Pot, no Cambodja). E em todas as épocas  e locais são levadas a efeito as  repetições  desses comportamentos assim tão diversos e, por vezes,  opostos.
 
                     Então, há que se analisar, em princípio, duas hipóteses:


                                         a) o ser humano que imprime sua personalidade, bem ou mal formada, à  prática  do Poder, desviando-o de sua finalidade de bem servir a sociedade para atingir os seus desejos pessoais, quando, então,  a influência do fator pessoal do indivíduo que alcança e mantém  a "chefia sobre homens", antes e depois,   é realmente quem provoca a corrupção;

                                        b) se é o Poder em si que corrompe o seu detentor , destorcendo a sua personalidade  , de acordo com a célebre frase de  Dalberg-Acton).

                      E, ainda, há uma  terceira hipótese, que é a conjugação das duas anteriores, isto é, se já havendo em cada ser humano uma gama de estímulos e tendências inconscientes, produzindo diversas facetas da personalidade, o fator externo da "chefia de homens" não seria um elemento propulsor (um estopim) para desencadear  a dissociação de personalidade em indivíduos que não possuem a estrutura psíquica suficiente para o autocontrole.

                      Trata-se, como se vê, de um assunto complexo. E uma análise não pode dividir os vários fatores como acontecimentos estanques, eles se entrelaçam, para que cheguemos a uma conclusão. O Poder tem várias facetas: o ponto de vista do que o detém, o do que o concedeu, o do que é atingido pelo seu exercício e também o da História, que vai aquilatar a necessidade ou não de determinados atos do seu detentor, de acordo com os resultados.  De qualquer forma, ele é um instrumento para a evolução da Humanidade, já que as sociedades humanas existem para um fim evolutivo e, não, para o retorno a tempos antigos, quando direitos naturais e políticos  eram abafados e  dizimados. Sendo o ser humano um "animal político", na afirmação aristotélica, ou não, a verdade é que a sua meta existencial, dependente de sua evolução, depende de uma ação em conjunto e em todo e qualquer ser da natureza que alguma vez pretendeu escapar da extinção, ela foi necessária. 

                    Como nós somos elementos complexos, diversamente  de musgos ou parasitas inferiores, que se reúnem em "colônias", há necessidade de  uma  organização - e, por enquanto, ainda não surgiu  outra ideia melhor do que o estabelecimento de uma "hierarquia organizada" para  conseguirmos manter o necessário liame que nos levará  à meta optata, ou seja , a evolução da espécie.  

                   Se os acontecimentos mundiais referidos estão a indicar a necessidade da revisão desse tipo de "hierarquia organizada", talvez tendente a uma governança  a nível de  "organização mundial", em que as fronteiras nacionais  se subordinem a um Poder Maior de Unidade Planetária, é chegado o momento de meditarmos sobre o assunto. E, para tanto, é necessário analisar o que se passa no mundo real de hoje, tanto no tempo quanto no espaço das novas necessidades humanas : a verdade é que somente com a intervenção de Nações mais estabilizadas e mais desenvolvidas, e organismos internacionais, é que se tem conseguido debelar problemas  internos  nacionais. Mas, para tanto, de acordo com as normas atuais de Soberania , essa intervenção somente pode ocorrer perifericamente e quando  chegam a um clímax de ameaça de desestabilização da  Paz entre as Nações ou que causem horror  às organizações humanas fora deles (a que nos referimos desde o início). E até que os detentores do Poder Local decidam parlamentar e conceder espaço às sociedades reivindicantes, muito se tem perdido em face a valores e vidas humanas, nas mais das vezes irrecuperáveis. Procuremos, pois, fazer essa análise.         

                        Todo e qualquer estudo que se faça  sobre os fenômenos sociais envolve, forçosamente, a análise do ser humano em si e em relação  aos demais componentes da sociedade , quer no sentido da influência que exerce sobre ela  quer se trate da que dela sofrem. E, nesse aspecto, sendo o indivíduo o centro de atenções da organização humana, que tem a intenção de evoluir e atingir um clímax de felicidade, é de todo necessário que este seja entendido. E, para tanto, não bastam os estudos dos cientistas  do seu  componente material — destacando-se que a Medicina está muito avançada nesse aspecto —, mas, também, do seu componente imaterial (que os antigos chamavam de “alma”, como nos explica Jung no texto já referido e postado no dia  13 passado), cujo estudo somente agora  se inicia com a mais nova das ciências , a Psicologia.
 

                      A esta altura, pergunto-me: sendo  a Democracia  o melhor dos sistemas de governo, como já ficou provado pela História, por que em nossos dias  está havendo uma crise terrível de governabilidade, não só em países onde impera ainda o  totalitarismo, como no Oriente, mas em  outros com o governo democrático estabelecido há muitos anos  ou mais recentemente, a ponto de os cidadãos estarem sofrendo torturas generalizadas que a todos escandalizam e espantam?  Ou será, como alguns dizem, o fim do Capitalismo, ou, então, que há um prazo de validade para qualquer forma de organização política humana?

                     E a resposta me vem da análise de vários fatores: Não. A crise é do ser humano, que se desviou da sua rota evolutiva,  deixando de estar  à altura dos elevados ideais daqueles nobres  fundadores  dos novos Estados Nacionais, que se formaram a partir da Revolução Francesa, deixando-se  arrastar por um materialismo inconsequente que valoriza o “ter” mais do que  qualquer  realidade do “ser”,  abafando  os  sentimentos mais sagrados dos direitos naturais  do ser humano, sob  um manto  da necessidade de um consumismo desenfreado para manter a máquina política mundial que gira em torno do novo  deus  mais adorado da vez : o dinheiro.  

                    Em  torno de todo esse emaranhado de conceitos essencialmente materialistas,  o que mais ambiciona o ser humano  é o Poder de controlar a máquina  nacional. E os cidadãos  são a massa de manobra de todas as tendências políticas, pois são eles que produzem os bens de consumo e, ao mesmo tempo, consomem  o que é produzido, fazendo, assim, a circulação maior ou menor  do capital necessário  à condução da vida moderna. E nesse trabalho incessante de ser o produtor/consumidor , o cidadão deixa de ser um cidadão, pois não tem mais tempo ou oportunidade de  dedicar-se ao mister  da cidadania ( Aristóteles nos define como animais políticos) e os seus componentes psíquicos vão-se emaranhando e finalmente explodem em um grito  de revolta pela perda de seus valores humanos essenciais, sem os quais a vida se torna insuportável. E, o mais estranho, é que aqueles que foram eleitos por eles nem percebem o mal que estão causando à sociedade de onde provieram e para a felicidade da  qual, teoricamente, deveriam dedicar a sua existência, durante o prazo estipulado para o exercício do seu mandato (ou para toda a sua vida, nos  Estados onde impera a monarquia hereditária).
                     Um adágio popular moderno nos diz que “um dia  chega a conta”. Parece que ela chegou, a crise é mundial. Tenho visto e lido em noticiário os governantes desses Estados onde o povo está falando de suas agruras, com um sentimento generalizado de angústia e revolta, que  têm “ouvido a voz das ruas”. Já escrevi neste blog , em outra oportunidade, que, sim, é verdade que todos ouvem, pois não temos conhecimento de nenhum governante surdo, mas será que eles entendem o que ouvem e, entendendo, será que eles estão dando as respostas adequadas? Aqui e ali acontecem fatos horríveis, o mundo está horrorizado, os governantes atacando os seus governados, em relação a quem eles têm o dever  de proteger, e prendem-se ao Poder com  mãos tão  fechadas quanto garras de aço, sem  qualquer sentimento em relação aos seus semelhantes. Esquecem-se de que, sem o povo, não há Nação, e, sem Nação não há Estado. E aí, o que fazer para que eles entendam?
                    
3. Se não têm pão, que comam brioches.
 

 
                    Não, não posso ficar calada em um momento desses. É verdade que estou fazendo um trabalho aprofundado sobre o assunto e em breve o levarei a público e tenho conhecimento de outros colegas que também procuram uma luz filosófica para iluminar esse túnel negro em que  poucas pessoas , talvez anestesiadas pelo pouco preparo que têm em matéria de governar, estão fazendo  tantos mergulharem.
                    E não posso deixar de pensar na infeliz Rainha de França, que ao escutar as multidões nas ruas de Paris, revoltadas porque não tinham pão, usando da moda dos aristocratas da época, ousou fazer uma “tirada de espírito”, brincando com o sentimento humano e disse a frase que ficou  célebre para  sempre, para definir  os governantes impiedosos : “Se não têm pão, que comam brioches!”                  
                    Hoje, quando o povo clama por mudanças essenciais, não de pão, mas de direitos inerentes à natureza do ser ,  os modernos governantes , que até aqui usavam a técnica romana de lhe dar “pão e circo” , já não os mandam  comer brioches, mandam que lhes  acertem tiros nas cabeças.

                  Ah, tristeza! Tenho rezado  incessantemente a Deus, nesses dias terríveis,  pedindo que proteja nossa Humanidade, pois estamos caminhando a passos largos para o final trágico. Invoco o espírito de nossos mais valorosos antepassados que nos legaram o que de bom ainda temos em nosso Mundo para  colocar juízo nessas pessoas tão despreparadas : o que está faltando é bom senso e boa orientação.                    
 
                  Mas, para que eles venham até nós, e nos tragam a Paz, é preciso que a mereçamos. A paz está ameaçada, pois ela  começa em nosso coração, e ele está ferido e sofre. Daí ela  deve manter-se em nossa psique, para que possamos racionalizar e materializar atos que desmanchem a violência decorrente da incompreensão, da inconsequência. Cada um de nós deve elevar seus pensamentos Àquele  em que acredita e procurar dar sua parcela de contribuição de energias positivas para salvar nossa humanidade. A única figura que se apresenta aos meus olhos, no momento, é a daqueles imensos Dinossauros  gritando e agonizando depois de toda a predação que levaram a efeito há muitos milhares de anos e a Natureza estupefata  assistindo à odisseia  dos gigantes  inconsequentes — deve ter sido um terrível Apocalipse. O nosso certamente será mais terrível, pois somos predadores de nós mesmos.
 
4. É o Poder que corrompe ou é o Homem que o corrompe? 
                                               


                Quando jovem, não tendo ainda a experiência de vida suficiente para conhecer na prática a natureza humana, e não tendo ainda me dedicado  ao estudo das Ciências Humanas, ouvi a célebre frase de Dalberg-Acton , dizendo que “o poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente”, e acreditei então que o ser humano era a pobre vítima desse  terrível monstro.
                  Cedo comecei a trabalhar e exerci minhas atividades sempre muito próxima ao Poder , até que  passei a ser um “Órgão do Poder”, eis que o Juiz de Direito não é um funcionário, mas um órgão, conforme a nossa e as outras Constituições do Mundo Civilizado o definem.  E dessa prática pude observar o seguinte :

                        — existem inúmeras pessoas, homens e mulheres, que nunca se corrompem quando no Poder, em número muito maior do que aquelas que se corrompem; e existem também inúmeras pessoas  que se deixam corromper;
                          se todas as pessoas que detêm o Poder fossem corruptas ou corrompidas nossa Humanidade há muito tempo já teria entrado em crise;

                        — as pessoas sérias e honestas trabalham incessantemente e a mídia não faz alarde de suas honrosas vidas e atividades, a não ser, por vezes, no dia em que as mesmas morrem e depois as esquecem; em contrário,  as pessoas corruptas são  as mais apontadas e a repetição de seus atos, na mídia, nos dão a impressão de que  são mais numerosas;
                        — as estatísticas que estabelecem os índices de corrupção nos diversos países contam esses números pelos resultados e não pelo número de pessoas envolvidas nos atos corruptos : por vezes um só elemento dentro de um governo é capaz de levar a efeito atos  inúmeros e de elevada periculosidade,  muito mais do que se diversos indivíduos estivessem envolvidos;
 
                        — a corrupção é um crime de difícil prova, geralmente é detectada pelos seus resultados e  seus efeitos, pois é feita às escondidas;

                        — ao analisarmos a vida pregressa de um corrupto identificado, podemos observar que, mesmo antes de galgar o  cargo ou função onde se deu o fato, a sua trajetória foi  marcada por atos desabonadores de caráter, com pouca ética;

                        - o Poder possui um lado glamoroso, que atrai as pessoas pouco éticas como a luz atrai as mariposas, mas possui um lado árduo, de dedicação à coisa pública e ao povo, que tira ao seu detentor anos de vida, que não perderia se ficasse em suas atividades comuns – como exemplo mais recente podemos citar o atual Presidente dos Estados Unidos da América, Barak Obama, que, tendo assumido o cargo com os cabelos completamente negros, já ao final do seu primeiro mandato os apresentava quase brancos, como hoje, sendo um homem tão novo;
                        — para o estresse diário e incessante  que o Poder exerce sobre o indivíduo é necessário que o mesmo possua saúde física e psíquica robustas para seu enfrentamento;
 
                        — o Poder é  extremamente  solitário , e, quanto maior for a parcela atribuída a um indivíduo, mais solitário e isolado este se torna, eis que suas decisões são mais  sérias e atingem maior gravidade  e também se torna alvo mais  visado e permanente de oficiais da administração com intenções pouco éticas — por isso, a divisão de poderes que se deu a partir   da implantação  das Democracias no Ocidente é considerada uma   extraordinária evolução , dividindo responsabilidades e criando sistemas de freios e contrapesos; nesse ponto é que a frase de Dalberg-Acton, que   fala de corrupção absoluta no poder absoluto  não está  em consonância com a realidade ;
                        — o exercício do Poder exige bom senso, equilíbrio e boa orientação, devendo o seu detentor cercar-se de pessoas capazes e corretas.     

                    De todas essas observações e de outras mais, cheguei à conclusão, contrariamente ao que nos diz a tão repetida  frase do  famoso historiador britânico citada acima, que  o Poder não corrompe as pessoas. São as pessoas já com tendências  pessoais para o desvio de conduta  ou então  psiquicamente despreparadas para o seu exercício é que encontram nele a oportunidade de exteriorizarem essa faceta de sua personalidade. Talvez se nunca tivessem chegado ao Poder, nunca tivessem delinquido, justamente porque não teriam tido  a oportunidade adequada e, assim vistas pelos demais, passariam perfeitamente como cidadãos honestos.
                  Em nossos dias muitas facilidades são  encontradas para pessoas ou grupos de pessoas despreparadas chegarem aos mais altos cargos, em qualquer parte do Mundo. Por outro lado, também muitas facilidades são dadas para pessoas extremamente qualificadas chegarem até lá. Essa é a grande  oportunidade que a Democracia  nos fornece e vários Estados no Mundo estão a demonstrar exemplos de um de outro caso. Tudo vai depender, também, do grau de  cidadania e educação  do povo que compõe a sociedade  de cada país. Quanto mais forem respeitados os direitos naturais humanos de uma sociedade, notadamente a educação, a instrução, a saúde e a justiça, então mais vigorosa e eficaz se tornará sua Democracia.  

  5. A visão psicológica e sociológica
 
 
                  Toda a análise feita acima  atendeu também a normas de estudo da Sociologia e da Psicologia, que nos leva aos princípios  norteadores dos desvios de conduta do ser humano frente aos acontecimentos sociais. De um ponto de vista  individual (Psicologia) e  do sistema social (Sociologia).

                     Do ponto de vista Psicológico,  coloco a seguir a explicação do elemento “Sombra” que Jung demonstra existir em todos nós, seres humanos, por mais evoluídos que possamos ser dentro da escala de normalidade de nossa espécie, nos dias de hoje. A maior ou menor capacidade de dominar e até reduzir a quase nada  esse elemento é que vai nos tornar pessoas éticas e capazes de realizar atos  de grande valia, fazendo-nos evoluir. É, de qualquer forma, a mesma “marca” do ser humilde e  brutal do qual evoluímos, segundo a teoria das espécies que apontou a evolução do Homo sapiens,  segundo Darwin, e que ainda carregamos em nós, segundo ele mesmo afirma em seu conhecido livro. Tanto em nossa vida particular como cidadãos comuns, como  ao nos tornarmos  detentores do Poder, devemos cuidar para que,  cada vez mais, deixemos de sofrer as influências de nossa “sombra”:
                                                                        A SOMBRA

                          Um homem de 33 anos, despedido de seu emprego durante um escândalo político, viu-se como uma vítima no sonho descrito a seguir, onde o arquétipo da sombra prevalece:

  “Estava numa sala, conversando com alguém – não sei muito bem quem era, podia até ser eu mesmo. Saí da sala , mas, por alguma razão, virei-me e voltei para lá. Abri a porta e me vi, em pé, do outro lado da sala. Ao olhar para a esquerda, vi outro homem de costas. Ele se virou e pude ver que também era eu. E parecia muito surpreso em me ver. Enquanto eu o encarava, seu rosto começou a se transformar em algo muito grotesco, num animal monstruoso. Fiquei apavorado com a cara do monstro e horrorizado ao compreender que todas aquelas pessoas eram na verdade partes diferentes de mim mesmo. O homem do outro lado da sala viu meu pavor e falou: ‘Eu disse para não voltar; você deveria ter batido antes de entrar. Agora você sabe'."

                          O arquétipo da sombra, simbolizada com o mesmo sexo do sonhador, em geral, representa o lado mais escuro e reprimido do caráter — a parte que a maioria das pessoas prefere não encarar em vigília, porque não “combina” com sua autoimagem . O sonhador citado, por exemplo, via-se como um agente de boas ações e culpava os outros por seus problemas, dizendo-se perseguido. Esse sonho explícito revelou o desconhecido para ele : dentro de si existiam lados inconscientes que podiam ser monstruosos. Até então, o homem conseguira reprimir ou esconder muito bem, dele mesmo, as facetas destrutivas. Ao expor essa sombra em toda sua verdade terrível, diz Bernstein, o sonho forçara o homem a aceitar a responsabilidade por suas ações.
                          Apesar de o arquétipo da sombra em geral surgir em sonhos com roupagem ameaçadora ou repugnante , para ser rejeitado, consegue oferecer ao sonhador algumas revelações úteis sobre seu próprio eu interior, as quais, depois, podem se integrar a sua vida em vigília. Ao reconhecer-se em uma sombra fria e desagradável, por exemplo, uma pessoa talvez se arme de coragem para se tornar mais calorosa e complacente em suas relações com os outros. Em se tratando de um arquétipo, a sombra tende a assumir caracteres positivos ou negativos. Por exemplo: a sombra de uma pessoa dócil talvez passe pelo sonho como um personagem forte e trabalhador, com qualidades que o sonhador poderia assimilar. (Texto extraído de “No Mundo dos Sonhos”, Série “Mistérios do Desconhecido”, Editora Abril, Livros Ltda., 1992, página 95)

               Do ponto de vista Sociológico, vem-nos  a afirmação de Émile Durkheim,  para explicar o comportamento de revolta de várias sociedades ao mesmo tempo, frente ao desrespeito ao seus direitos individuais. Ele, que é  considerado o  iniciador da Ciência da Sociologia, nos informa que  o fato social, pela sua própria  natureza de sociabilidade, é essencialmente geral, ou seja, aplica-se  a todos ou à maioria dos indivíduos dentro da coletividade :
  

... mas , poderão objetar, um fenômeno não pode ser coletivo se não for comum a todos os membros da sociedade, ou, pelo menos, à maioria deles; se não for geral, portanto. Sem dúvida; mas se ele é geral, é porque é coletivo (isto é, mais ou menos obrigatório) , e está bem longe de ser coletivo por ser geral. Constitui um estado do grupo que se repete nos indivíduos porque se impõe a eles. Está longe de existir no todo devido ao fato de existir nas partes; mas, ao contrário, existe nas partes porque existe no todo. (Durkheim, Émile – “As Regras do Método Sociológico”, 5ª. Edição. Editora Nacional, S. Paulo – 1968 – pág. 8)

                 Cabem essas afirmações tanto no que se refere ao exercício do  Poder quanto daquele que  a ele se submete, voluntariamente (pelo voto em pleitos eleitorais), ou não . Se, em determinado momento, um grande número de pessoas  se reúne ,  cada indivíduo passa a sofrer  também  a influência da massa. E, integrado a ela, novas facetas de sua personalidade podem aflorar : é o caso de manifestantes que, longe da sua inclusão nela, têm comportamentos diversos  e, por vezes, inteiramente opostos, como se fossem duas personalidades diversas. O comportamento humano por influência das massas tem sido objeto de estudo sociológico e psicológico específico.


6. Conclusão

 
               Após essa exposição, explico a inclusão  das frases logo ao início,  abaixo do título. O ser humano, apesar do que algumas pessoas imaginam, não é perfeito. Sendo assim, as suas obras também seguem essa sua característica.
 


 
 
                 Na Bíblia, há uma  indicação do Poder entre os homens  tendo sido oferecido pelo Demônio a Cristo, como tentação para que o mesmo desistisse da salvação da Humanidade.

                  Quer se tenha a Bíblica como um Livro Sagrado que nos apresenta as Verdades, ou então se entenda ser uma Antologia de Parábolas, ninguém consegue negar a grande sabedoria que é colocada nos fatos ali narrados. Não são fatos históricos, pois não se trata de um livro de História Antiga, embora muita coisa nesse sentido se possa compilar ali, notadamente  no que tange a Estados e Impérios  e Reis e Imperadores que realmente existiram. Então, colocada a figura da tentação pelo glamour do Poder, oferecida a um homem acima de tudo íntegro e o mais aproximadamente possível da perfeição que se possa imaginar, Jesus Cristo, ele não achou  o Poder Absoluto sobre o Mundo tão importante quanto  fazer evoluir a Humanidade. E isso é uma grande lição para todos nós : acima do Poder Humano está a Evolução Humana.
                  Einstein, nos faz lembrar que  o Poder Perfeito somente pode ser exercido por um Ser Perfeito, no caso, Deus, quando nos diz que Ele não joga dados com o Universo. E afirmar isso significa que Ele mesmo se coloca a agir dentro de Suas Leis, respeitando  a sua Criação. Sendo assim, o único bom governante é aquele que  sabe fazer as leis e ao mesmo tempo se submeter a elas. E somente quando o Homem, quer como indivíduo, quer como Humanidade, atingir alguma perfeição, é que poderá realmente governar as suas sociedades de uma forma ideal. Enquanto isso, devemos lutar para evoluir. Não é fácil, mas é necessário. Acredito que um dia, não amanhã, mas bem mais distante, com certeza chegaremos lá - enquanto isso, cada um de nós deve fazer sua parte, quer como um indivíduo em si, quer como componente do todo a que pertencemos.


Nota: Hoje, ao postar essa matéria, ouvi nos noticiários matutinos que o presidente da Ucrânia, finalmente, fez um acordo com a oposição em seu país, e  assinou  tratado com a União Europeia, tendo marcado eleições presidenciais antecipadas para dezembro, encerrando a dolorosa ocorrência social, que enlutou a Humanidade. Para tanto  valeu a interferência das Nações Organizadas do Mundo, o que me enche de esperanças quanto ao futuro. Quiçá se obtenha também igual resultado para a não menos sangrenta e dolorosa para todos nós  guerra civil que se alastra ainda na Síria, país que , no passado, tantas contribuições trouxe para a História Humana. 
__________

 
(*) “Uma suposição primordial da nossa tipologia é que essas reações ocorrem com frequência diferente dentro de vários subgrupos de nossa sociedade, precisamente porque os membros de tais grupos ou estratos são diferencialmente sujeitos ao estímulo cultural e às restrições sociais”. Merton, Robert King – “Sociologia- Teoria e Estrutura”, São Paulo, Ed. Mestre Jou, 1970, pág. 213.
(**) Introdução de Paulo Matos Peixoto à primeira edição de “Vidas Paralelas”, de Plutarco, 1991, Editora Paumape,  São Paulo, página 9.
(***) Idem, página 10.  
   

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Nossos Tempos e os Fenômenos Psicológicos (I)


NOSSOS TEMPOS E OS FENÔMENOS PSICOLÓGICOS  (I)

                                                      
 
 
“A DISSOCIABILIDADE DA PSIQUE

(Texto  completo de Carl Gustav Jung)

 
                                          A priori, não há motivo para admitir que os processos inconscientes tenham obrigatoriamente um sujeito, nem tampouco para duvidarmos da realidade dos processos psíquicos. Entretanto, como se admite, o problema torna-se difícil, quando lidamos com supostos atos da vontade.  Se não se trata de simples "impulsos" ou "inclinações", mas de "escolha" e de "decisão" aparentemente de ordem superior, próprias da vontade, certamente não se pode deixar de admitir a existência necessária de um sujeito que as controle e para o qual alguma coisa foi "representada". Por definição, isto seria colocar uma consciência no inconsciente, seria uma operação não muito difícil para o psicopatologista.
 
 
 
 
Com efeito, ele conhece um fenômeno psíquico que a psicologia "acadêmica" quase sempre desconhece: o fenômeno da dissociação ou dissociabilidade da personalidade. Esta peculiaridade se deve ao fato de que a ligação dos processos psíquicos entre si é uma ligação bastante condicionada. Não somente os processos inconscientes dependem notavelmente das experiências da consciência, mas os próprios processos conscientes revelam uma frouxidão muito clara ou uma separação entre uns e outros. Limito-me apenas a recordar aqueles absurdos ocasionados pelos complexos e que podemos observar com a máxima precisão desejada nas experiências de associação. Da mesma forma que existem realmente os casos de double conscience  [dupla consciência], cuja existência foi posta em dúvida por Wundt, assim também os casos em que a personalidade não se acha inteiramente fundida, mas apenas com alguns fragmentos menores destacados, são muito mais prováveis ainda e, de fato, mais comuns. Trata-se inclusive de experiências antiquíssimas da humanidade, que se refletem na suposição generalizada da existência lógica de várias almas em um só e mesmo indivíduo. Como no-lo mostra a pluralidade de componentes psíquicas no nível primitivo, o estado original se deve ao fato de os processos psíquicos se acharem debilmente ligados entre si, e de maneira alguma a uma unidade perfeita entre eles. Além do mais, basta um nada, como no-lo mostra a experiência psiquiátrica, para despedaçar a unidade penosamente conseguida no curso do desenvolvimento, e reduzi-la de volta a seus elementos originais.


  
                                            O fato da dissociabilidade nos permite comodamente superar as dificuldades ligadas à suposição logicamente necessária de um limiar da consciência. Se é, em tudo e por tudo, correto dizer que os conteúdos conscientes, se tornam subliminares e, por isto mesmo, inconscientes, em decorrência da perda de energia, e que, inversamente, os processos inconscientes se tornam conscientes devido a um aumento de energia, então, para que os atos inconscientes de vontade, por exemplo, sejam possíveis, é necessário que esses processos possuam um potencial de energia capaz de os levar ao estado de consciência, mas um estado de consciência secundária que consiste no fato de o processo inconsciente ser "representado" para um sujeito subliminar que escolhe e decide. Este deve necessariamente possuir inclusive uma quantidade de energia exigida para conduzi-lo ao estado de consciência. Quer dizer, ele deve alcançar, em um certo momento, seu bursting point [ponto de ruptura] (46).  Mas, se assim é, então surge a questão por que o processo inconsciente não cruza realmente o limiar da consciência e não se torna perceptível ao ego. Como, evidentemente, ele não o faz, mas aparentemente permanece suspenso no domínio do sujeito subliminar secundário, precisamos então de explicar por que este sujeito que, por hipótese, possui a quantidade de energia necessária para conduzi-lo ao estado de consciência, não se alça, por sua vez, acima do limiar e não se incorpora à consciência primária do ego.  A Psicologia tem o material necessário para responder a esta pergunta. Esta consciência secundária representa, com efeito, uma componente da personalidade,  que se separou da consciência do ego, por mero acaso, mas deve sua separação a determinados motivos. Uma dissociação desta espécie apresenta dois aspectos distintos: no primeiro caso, trata-se de um conteúdo originariamente consciente que se tornou subliminar ao ser reprimido por causa de sua natureza incompatível; no segundo caso, o sujeito secundário consiste em um processo que jamais pode penetrar na consciência,  porque nesta não há a mínima possibilidade de que se efetue a  percepção deste processo, isto é, a consciência do ego não pode recebê-lo, por falta de compreensão  e, por conseguinte, permanece essencialmente subliminar, embora, do ponto de vista energético, ele seja inteiramente capaz de tornar-se consciente.
 
                                                                 
 
 Ele não deve sua existência à repressão, mas é o resultado de processos subliminares e como tal nunca foi consciente. Como em ambos os casos há um potencial de energia capaz  de os conduzir ao estado de consciência, o sujeito secundário atua sobre a consciência do ego, mas de maneira indireta, isto é, através de "símbolos", embora esta expressão não me pareça muito feliz. Quer dizer, os conteúdos que aparecem na consciência são primeiramente sintomáticos. Na medida, porém, em que sabemos ou acreditamos saber a que é que eles se referem ou em que se baseiam, eles são semióticos, embora a literatura freudiana empregue o termo "simbólico" a despeito do fato de que, na realidade, sempre exprimimos através de símbolos as coisas que não conhecemos. Os conteúdos sintomáticos são, em parte, verdadeiramente simbólicos e são representantes indiretos de estados ou processos inconscientes cuja natureza só pode ser deduzida imperfeitamente e só pode tornar-se consciente a partir dos conteúdos que aparecem na consciência. É possível, pois, que o inconsciente abrigue conteúdos de tão alto nível de energia que, em outras circunstâncias, eles tornar-se-iam perceptíveis ao ego. Na maioria das vezes, eles não são conteúdos reprimidos, mas simplesmente conteúdos que ainda não se tornaram conscientes, isto é, que ainda não foram percebidos subjetivamente, como, por exemplo, os demônios ou os deuses dos primitivos ou os "ismos" em que os homens modernos tão  fanaticamente  acreditam. Esse  estado não é nem patológico nem de qualquer modo estranho, mas o estado normal original, ao passo que a totalidade da psique, compreendida na consciência, é uma meta ideal, e jamais alcançada.
 
 
                                          Não é sem justiça que colocamos a consciência, por analogia, em ligação com as funções de sensação de cuja fisiologia deriva o conceito de "limiar". O número das vibrações sonoras perceptíveis ao ouvido humano varia de 20 a 20.000 por segundo e o comprimento de ondas da luz visível vai de 7.700até 3.900 angströms. Através desta analogia, podemos imaginar facilmente que há um limiar inferior e um limiar superior para os processos psíquicos e que, consequentemente, a consciência, que é o sistema perceptivo por excelência, pode ser comparada com a escala perceptível do som e da luz, tendo, como estes, um limite superior e um limite inferior. Acho que se poderia estender esta comparação à psique em geral, o que seria possível, se houvesse processos psicóides nas duas extremidades da escala psíquica. De acordo com o princípio: natura non facit saltus [a natureza não dá saltos] esta hipótese não me parece de todo fora de propósito.
 
 
 

                                  Ao usar o termo "psicóide", estou plenamente cônscio de que ele entra em choque com a mesma palavra criada por Driesch. Por psicóide entende ele o princípio condutor, o "determinante das reações", a "potência prospectiva" do elemento germinal. É "o agente elementar descoberto na ação" (47) , a"enteléquia da ação real" (48) . Como bem ressaltou Eugen Bleuler, o conceito de Driesch é mais filosófico do que científico. Bleuler, ao invés, usa a expressão "psicóide" (48) como termo coletivo, para designar, sobretudo, processos subcorticais que se acham relacionados biologicamente com "funções de adaptação". Entre estas, Bleuler enumera o "reflexo e o desenvolvimento da espécie". Ele define-a como segue:
 
 "O psicóide é a soma de todas as funções mnésicas do corpo e do sistema nervoso, orientadas para um fim e destinadas à conservação da vida (com exceção daquelas funções corticais que estamos sempre acostumados a considerar como psíquicas)." (50).

 
Em outra passagem ele escreve: 

"A psique corporal do indivíduo e a filosopsique juntas formam uma unidade que podemos muito bem empregar no presente trabalho, designando-a pelo termo de psicóide. Comuns ao psicóide e à psique... são a conação e o emprego de experiências anteriores... para alcançar o alvo, o que inclui a memória (engrafia e ecforia) ea associação, ou seja, algo de análogo ao pensamento". (51)

Embora seja claro o que o Autor entenda por "psicóide", contudo, na prática, esse termo se confunde com "psique", como nos mostra a passagem indicada. Por isto, não se entende por que estas funções subcorticais a que se refere o termo em questão devam ser classificadas de "semipsíquicas". A confusão provém evidentemente da concepção organológica ainda observável em Bleuler, que opera com conceitos tais como "alma cortical" e "alma medular", mostrando, assim, uma tendência muito clara de derivar as funções psíquicas correspondentes destas partes do cérebro, embora seja sempre a função que crie seu próprio órgão, o conserve e o modifique.  A  concepção organológica tem a desvantagem de considerar todas as atividades da matéria  ligadas a um fim como "psíquicas", tendo como consequência o fato de que "vida" e "psique" se equiparam, como no-lo mostra, por exemplo, o emprego que Bleuler faz dos termos "filopsique" e"reflexos". É certamente muito difícil, senão impossível, conceber uma função psíquica independentemente de seu próprio órgão, embora, na realidade, experimentemos o processo psíquico sem sua relação com o substrato orgânico. Mas para o psicólogo é justamente a totalidade destas experiências que constitui o objeto de sua investigação, e, por esta razão, deve abandonar uma terminologia tomada de empréstimo à anatomia. Se uso o termo "psicóide" (52) , faço-o com três ressalvas: a primeira é que emprego esta palavra como adjetivo e não como substantivo; a segunda é que ela não denota uma qualidade anímica ou psíquica em sentido próprio, mas uma qualidade quase psíquica, como a dos processos reflexos; e a terceira é que esse termo tem por função distinguir uma determinada categoria de fatos dos meros fenômenos vitais, por uma parte, e dos processos psíquicos em sentido próprio, por outra. Esta última distinção nos obriga também a definir com mais precisão a natureza e a extensão do psíquico, e de modo todo particular do psíquico inconsciente.

 


                                            Se o inconsciente pode conter tudo o que é conhecido como função da consciência, então nos deparamos com a possibilidade de que ele possua, como a consciência, inclusive um sujeito, uma espécie de ego. Esta conclusão acha-se expressa no emprego frequente e persistente da palavra "subconsciente". Este último termo, porém, é um tanto equívoco, porque, ou significa o que está "por  baixo da consciência", ou postula uma consciência "inferior", isto é, secundária. Ao mesmo tempo, a hipótese de um "subconsciente" ao qual imediatamente vem se associar um "superconsciente" (53) aponta-nos para aquilo que constitui o núcleo real de meu argumento, ou seja, o fato de que um segundo sistema psíquico concomitante à consciência — independentemente das qualidades que venhamos a lhe atribuir  — é de uma significação absolutamente revolucionária, na medida em que poderá alterar radicalmente nossa visão do mundo. Se as percepções que têm lugar neste segundo sistema psíquico pudessem ser transferidas para a consciência do ego, teríamos a possibilidade de ampliar enormemente nossa visão do mundo.

 


                                              Se tomarmos a sério a hipótese da existência do inconsciente, logo nos daremos conta deque nossa visão do mundo não pode ser senão provisória, pois, se introduzirmos uma alteração tão radical no sujeito da percepção e da cognição, como a que ocorre numa reduplicação de componentes díspares como esta, o resultado será uma visão do mundo diferente daquela habitual. Isto, porém, só é possível, se a hipótese do inconsciente for procedente, o que, por sua vez, só pode acontecer, se os conteúdos inconscientes puderem ser mudados em conteúdos conscientes, ou, em outras palavras, se as perturbações exercidas pelo inconsciente, isto é, os efeitos das manifestações espontâneas, dos sonhos, das fantasias e dos complexos, se integrarem na consciência pelo processo interpretativo.”


____________________

46
James, Varieties,
47
 Philosophie des Organischen,  p. 357.
48
Op. Cit., p. 487.
49
Die Psychoide,
p. 11. Um feminino singular, evidentemente derivado do termo psique (δηζ = semelhante à alma).
50
Op. Cit., p. 11.
51
Op. Cit., p. 33.
52
Posso utilizar-me tanto mais legitimamente do vocábulo "psicóide", porque, embora o uso que faço desse termo derive de um campo diferente de observações, contudo, ele procura exprimir mais ou menos aproximadamente aquele grupo de fenômenos que Bleuler tinha também em vista. Busemann chama de "micropsiquismo" a este psiquismo não diferenciado ( Die Einheit der Psychologie und das Problemdes Mikropsychischen  p. 31).
53
Este "supraconsciente" é contestado notadamente por pessoas que se acham sob a influência da Filosofia hindu. Em geral elas não percebem que suas objeções só se aplicam à hipótese de um "subconsciente", termo ambíguo que eu evito empregar. O meu conceito de inconsciente, pelo contrário, deixa totalmente em aberto a questão de um "supra" e de um "sub" e abarca os dois aspectos do psiquismo.
  Este texto do livro  "A Natureza da Psique", de C.G. Jung foi compilado integralmente da Internet, download free : http://pt.scribd.com/doc/19474519/CGjung-A-Natureza-Da-Psique     
 
Figuras e desenhos incluídos por nós, compilados na Internet.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Salvemos a sociedade, eduquemos os nossos jovens

SALVEMOS A SOCIEDADE, EDUQUEMOS OS NOSSOS JOVENS

 
 
 
(...) E estamos aqui há apenas 1 milhão de anos, nós, a primeira espécie que projetou os meios para a sua autodestruição. Somos raros e preciosos porque estamos vivos, porque podemos pensar dentro de nossas possibilidades. Temos o privilégio de influenciar e talvez controlar o nosso futuro. Acredito que temos a obrigação de lutar pela vida na Terra — não apenas por nós mesmos, mas por todos aqueles, humanos e de outras espécies, que vieram antes de nós e a quem devemos favores, e por todos aqueles que, se formos inteligentes, virão depois de nós. Não há nenhuma causa mais urgente, nenhuma tarefa mais apropriada do que  proteger o futuro de nossa espécie. Quase todos os nossos problemas são provocados pelos humanos e podem ser resolvidos pelos humanos. Nenhuma convenção social, nenhum sistema político, nenhuma hipótese econômica, nenhum dogma religioso é mais importante.

                                    Carl Sagam

              
                                                 

                  Não somente os cientistas devem observar a natureza para deduzir  empiricamente  as leis  que regem  a  realidade em que vivemos. Todos nós, tanto para uma sobrevivência  pessoal, quanto social,   temos necessidade de desenvolver uma estratégia de vida  em consonância com   os princípios  adequados à evolução da espécie e, nesse sentido, devemos observar  o que normalmente ocorre  à nossa volta, para nos comportarmos  de maneira  a obter os melhores resultados, pois, queiramos ou não,  estamos integrados a um meio ambiente do qual somos partes e, não, elementos superiores e  separados que consigam  existir sem a cooperação recíproca.
 
                  Num sentido biológico ou sociológico, há de se recordar que um dos aspectos principais de uma sociedade é a existência da  proteção  das novas gerações (sobreposição das gerações),via parental. E esse aspecto particular é observado naturalmente em todos os mamíferos superiores  que conseguiram sobreviver aos grandes desastres ambientais de nosso planeta : chegados aqui antes dos humanos, praticam, há milênios, efetivamente, a proteção  integral  dos seus componentes na sua  infância e  juventude,  com uma responsabilidade  compartilhada por todos os seus membros, fato que  ainda não conseguimos entender plenamente  e para o qual  só há pouco tempo, a partir da “Declaração Universal dos Direitos das Crianças”  , em 1959, tivemos nossa atenção  direcionada.

                  São dois os exemplos mais conhecidos. Nas manadas dos elefantes, todos os filhotes são colocados, sempre, em um local central, cercados por todas as fêmeas adultas, que os protegem com amor maternal, a ponto de nossos  estudiosos  as cognominarem de “tias”. Os golfinhos  têm um comportamento social muito desenvolvido, também : no momento do parto, a fêmea se afasta do grupo e é acompanhada por outra, que faz as vezes de “parteira”. O cuidado parental é enorme: os pais estão sempre perto do filhote, até este  ficar adulto  :  quando um tubarão se aproxima  dele, o pai vai em frente e luta com o predador, enquanto a mãe  fica resguardando o pequeno. Os cientistas têm estudado várias espécies desse maravilhoso cetáceo e  puderam  verificar , em vários casos  , que componentes da sociedade deles assumem os cuidados parentais  de filhotes de outros elementos do grupo, o que indica  o forte sentimento  da necessidade  de preservar as gerações futuras.
 
 

                    O ser humano está muito atrasado em relação às leis naturais que imperam a respeito da noção  da célula-mater  da sua espécie. A família, em nossa sociedade moderna, ainda  é  compreendida  por elementos  materiais  do ser , que se resumem nos laços de sangue. O instituto da “adoção”, que na antiguidade foi muito utilizado pelos romanos, somente a partir do século XX  é que vem se delineando como uma forma de integração de elementos alheios  ao corpo  familiar sanguíneo, e, assim mesmo, ainda não encontra guarida na maioria dos países.

                  A tendência de uma sociedade realmente evoluída é estabelecer uma relação parental  difusa, em que os vínculos se formem a nível  geral, sem que se faça uma escolha por este ou aquele indivíduo, ou que se tomem em consideração apenas  os nascidos  com vínculos de sangue.  Não é, por outro lado, uma política nacional acertada a da  separação da criança, em determinada etapa de sua vida, do núcleo familiar e sua colocação em instituições  estatais  ou particulares para que ali, longe do convívio sentimental, tão necessário à formação de uma psique  sadia , adquira  características  uniformizadas, conforme as desejem, em determinado momento, os detentores do poder    algumas civilizações procuraram  fazer isso, como Esparta, na Grécia Antiga e a União Soviética, mais recentemente, sob o regime marxista, mas , em ambos os casos, essa técnica de desenvolvimento social pereceu  , não conseguindo  chegar ao “homem perfeito” ou ao “super homem”, conforme prometiam as filosofias que as fizeram enveredar por essa opção. 

                  Está havendo uma desagregação da  família em um conceito tradicional, que , segundo uma visão hegeliana, trata-se de uma pessoa jurídica, sociedade conjugal  universal e durável, com laços afetivos entre seus membros,  que se inicia   com a realização de um casamento   entre duas pessoas de sexos distintos , formando-se  uma existência exterior, traduzida  na propriedade de bens e cuidados para sua manutenção e um aspecto interior, que é a educação sentimental, moral e cultural das crianças , até  a sua natural dissolução (pela morte  dos pais ou pela maioridade  dos filhos que vão constituir outras famílias). Está ocorrendo, em um processo generalizado, a  sua desconstituição formal ou legal (separação, divórcio), com a multiplicação de diversos núcleos familiares simultâneos, distintos e com correntes entre si.


                    Sobre a importância dos aspectos sentimentais da família,   Hegel  faz uma análise profunda que se inicia assim :
 
                                                                       A FAMÍLIA. Na qualidade de  substancialidade imediata do espírito, a família se determina pelo sentido unitário, pelo amor, de forma que a disposição de espírito correspondente é a consciência de ter sua individualidade  nessa unidade que é a essência em si e para si, e  de não   haver existência nela como uma pessoa por si, mas, sim , como seu membro.

                                                                  O direito que o indivíduo possui em razão da unidade familiar e que é, primeiramente, sua vida nessa unidade, não toma a forma de um direito como momento abstrato da individualidade definida, da forma que ocorre quando a família entra em decomposição e aqueles que eram seus membros se transformam psicologicamente e  realmente em pessoas independentes. Aquilo  que eles  encontravam na família e que era apenas um momento constitutivo de um todo, eles continuarão ainda a receber no isolamento, quer  dizer, apenas nos aspectos exteriores (recursos financeiros, alimentação, despesas com educação, etc.).[Tradução livre . Páginas 198 e 199, do “Principes de la Philosophie du Droit – La moralité objective”, Éditions Gallimard, 1940,  traduzido do alemão para o francês por André Kaan e prefaciado por Jean Hyppolite]

 
                  O aspecto afetivo, ou sentimento de  agregação de um indivíduo  , é um elemento  essencial , natural ou adquirido, para que  se mantenha coeso o grupo a que pertence. No ser humano, ele é natural e  primordial à sua evolução como espécie. O seu exercício, contudo,  necessita de um  aprendizado, quer para unir-se  aos demais integrantes do corpo social, quer para  aceitá-los.
                                             
                  A mentalidade relativista que tem imperado em nossa sociedade ocidental é, de todo, prejudicial à sanidade psicológica humana  : o homem, fechando-se cada vez mais em si mesmo, perde a noção do social e, contrariando sua natureza, vive com conceitos particulares sobre os assuntos mais imediatos de interesse de sua subsistência, ignorando que o destino do todo social é essencialmente importante , até mesmo onde mantém o seu status quo. O mesmo ocorre  nos conglomerados empresariais : em razão  do grande dimensionamento do mercado em que operam, passam a confundir com interesse público o seu interesse particular, primordial, visando ou ao lucro (capitalismo) ou à manutenção do poderio decisório e supremacia de classes ( no comunismo e regimes autoritários). Um equilíbrio há de ser encontrado, notadamente no que tange à formação das crianças, frente  a essa situação, que observam e de que participam.
 
                 A família é o elemento primário para  a transmissão, às novas gerações, dos princípios  de uma sadia  convivência em sociedade , indicando , aos seus  componentes , normas de moral e ética  a serem observadas para o bem estar  dos seus próximos — entendidos no sentido de  humanos e do meio ambiente em seu entorno. Quando ela falta ou falha, nessa finalidade, o responsável mediato, que é todo o corpo social, deve intervir no sentido de recolocar esse aspecto aos menores envolvidos, em um momento tão  essencial de sua existência e que se torna ruim pela sua desproteção familiar — pois, o que , para um adulto, é um fato superável, para uma criança ou para  um adolescente, é uma  desgraça  incomensurável, capaz de abalar os alicerces de sua personalidade. Quando essa situação desagregadora atinge níveis estatísticos muito elevados, como na atualidade, impõe-se uma tomada de posição positiva e real: não bastam disposições legais e filosofias humanitárias, é necessário que sejam levadas a efeito políticas e atividades concretas no âmbito público e privado, para solucionar o problema.

                                                    

                 Uma lei que não se efetiva como uma  ação concreta  de governo  se torna letra morta  e traz intranquilidade à unidade nacional. Uma filosofia  que não assume os seus princípios  mediante atitudes firmes no sentido de trazê-la à realidade social é apenas  uma forma que intelectuais encontram  de passar o tempo ,  elaborando  pensamentos  sem finalidades.

                  Estamos, no Brasil, em um momento de tomada de iniciativas concretas para a melhoria  psíquica e cultural da nova geração. Vários países vêm tomando essa iniciativa e já se vê algum sucesso. Deve-se entender que o consumo excessivo de drogas proibidas e de bebidas alcoólicas, pela nossa juventude mundial, é uma fuga coletiva de um mundo adulto que demonstra seu desprezo por valores  da espécie como um conjunto em evolução e a procura de compensar  a falta de perspectivas de melhoras nesse sentido. Incumbe a nós, adultos, tomar a iniciativa e colocar em obra toda a teoria  que nos  concedem as leis internacionais e nacionais sobre a  criança e o adolescente.

 

(Texto extraído do livro “Delinquência Juvenil – Infraestrutura da Criminalidade Adulta”, de Lia Pantoja Milhomens, Ed. In-Fólio, 2011)