(...) E estamos aqui
há apenas 1 milhão de anos, nós, a primeira espécie que projetou os meios para
a sua autodestruição. Somos raros e preciosos porque estamos vivos, porque
podemos pensar dentro de nossas possibilidades. Temos o privilégio de
influenciar e talvez controlar o nosso futuro. Acredito que temos a obrigação
de lutar pela vida na Terra — não apenas por nós mesmos, mas por todos aqueles,
humanos e de outras espécies, que vieram antes de nós e a quem devemos favores,
e por todos aqueles que, se formos inteligentes, virão depois de nós. Não há
nenhuma causa mais urgente, nenhuma tarefa mais apropriada do que proteger o futuro de nossa espécie. Quase
todos os nossos problemas são provocados pelos humanos e podem ser resolvidos
pelos humanos. Nenhuma convenção social, nenhum sistema político, nenhuma hipótese
econômica, nenhum dogma religioso é mais importante.
Não
somente os cientistas devem observar a natureza para deduzir empiricamente
as leis que regem a
realidade em que vivemos. Todos nós, tanto para uma sobrevivência pessoal, quanto social, temos necessidade de desenvolver uma
estratégia de vida em consonância
com os princípios adequados à evolução da espécie e, nesse
sentido, devemos observar o que
normalmente ocorre à nossa volta, para
nos comportarmos de maneira a obter os melhores resultados, pois,
queiramos ou não, estamos integrados a
um meio ambiente do qual somos partes e, não, elementos superiores e separados que consigam existir sem a cooperação recíproca.
Num
sentido biológico ou sociológico, há de se recordar que um dos aspectos
principais de uma sociedade é a existência da
proteção das novas gerações
(sobreposição das gerações),via parental. E esse aspecto particular é observado
naturalmente em todos os mamíferos superiores
que conseguiram sobreviver aos grandes desastres ambientais de nosso
planeta : chegados aqui antes dos humanos, praticam, há milênios, efetivamente,
a proteção integral dos seus componentes na sua infância e
juventude, com uma
responsabilidade compartilhada por todos
os seus membros, fato que ainda não
conseguimos entender plenamente e para o
qual só há pouco tempo, a partir da
“Declaração Universal dos Direitos das Crianças” , em 1959, tivemos nossa atenção direcionada.
A
FAMÍLIA. Na qualidade de
substancialidade imediata do espírito, a família se determina pelo sentido
unitário, pelo amor, de forma que a disposição de espírito correspondente é a
consciência de ter sua individualidade
nessa unidade que é a essência em si e para si, e de não
haver existência nela como uma pessoa por si, mas, sim , como seu membro.
O aspecto afetivo, ou sentimento de agregação de um indivíduo , é um elemento essencial , natural ou adquirido, para que se mantenha coeso o grupo a que pertence. No
ser humano, ele é natural e primordial à
sua evolução como espécie. O seu exercício, contudo, necessita de um aprendizado, quer para unir-se aos demais integrantes do corpo social, quer
para aceitá-los.
A mentalidade relativista que tem
imperado em nossa sociedade ocidental é, de todo, prejudicial à sanidade
psicológica humana : o homem,
fechando-se cada vez mais em si mesmo, perde a noção do social e, contrariando
sua natureza, vive com conceitos particulares sobre os assuntos mais imediatos
de interesse de sua subsistência, ignorando que o destino do todo social é
essencialmente importante , até mesmo onde mantém o seu status quo. O
mesmo ocorre nos conglomerados
empresariais : em razão do grande
dimensionamento do mercado em que operam, passam a confundir com interesse
público o seu interesse particular, primordial, visando ou ao lucro
(capitalismo) ou à manutenção do poderio decisório e supremacia de classes ( no
comunismo e regimes autoritários). Um equilíbrio há de ser encontrado,
notadamente no que tange à formação das crianças, frente a essa situação, que observam e de que
participam.
Uma
lei que não se efetiva como uma ação
concreta de governo se torna letra morta e traz intranquilidade à unidade nacional.
Uma filosofia que não assume os seus
princípios mediante atitudes firmes no
sentido de trazê-la à realidade social é apenas
uma forma que intelectuais encontram de passar o tempo , elaborando
pensamentos sem finalidades.
Estamos, no Brasil, em um momento de tomada de
iniciativas concretas para a melhoria
psíquica e cultural da nova geração. Vários países vêm tomando essa
iniciativa e já se vê algum sucesso. Deve-se entender que o consumo excessivo
de drogas proibidas e de bebidas alcoólicas, pela nossa juventude mundial, é
uma fuga coletiva de um mundo adulto que demonstra seu desprezo por
valores da espécie como um conjunto em
evolução e a procura de compensar a
falta de perspectivas de melhoras nesse sentido. Incumbe a nós, adultos, tomar
a iniciativa e colocar em obra toda a teoria
que nos concedem as leis
internacionais e nacionais sobre a
criança e o adolescente.
(Texto extraído do livro “Delinquência Juvenil – Infraestrutura da
Criminalidade Adulta”, de Lia Pantoja Milhomens, Ed. In-Fólio, 2011)




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