quarta-feira, 7 de outubro de 2015

07/10/2015

              A VIDA COM OS ANIMAIS

      ANÁLISE DO COMPORTAMENTO  HUMANO EM RELAÇÃO  A ELES : OPINIÕES DE  PESSOAS ALTAMENTE ESPECIALIZADAS 

                                                                   Parte  II

Homenagem ao Dia Dedicado aos animais
04/10/2015

 
4. Evolução humana

 

"Enquanto estivermos matando e torturando animais, vamos continuar a torturar e a matar seres humanos - vamos ter guerra. Matar precisa ser ensaiado e aprendido em pequena escala; enquanto prendermos animais em gaiolas, teremos prisões, porque prender precisa ser aprendido em pequena escala; enquanto escravizarmos os animais, teremos escravos humanos, porque escravizar precisa ser aprendido em pequena escala."
(Edgar Kupfer-Koberwitz )

 
 
“A civilização de um povo se avalia pela forma que seus animais são tratados.”
 (Humboldt)          
 

"Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação à natureza e aos animais."
(Victor Hugo)

 "O animal selvagem e cruel não é aquele que está atrás das grades. É o que está na frente delas."
(Axel Munthe)
 
 "Se experiências em animais fossem abandonadas, a humanidade teria tido um avanço fundamental."
(Richard Wagner)

 “Em termos de evolução, bem maior é o débito da Humanidade para com os animais do que o crédito que lhes temos dispensado para seu bem-estar e progresso."
(Eurípedes Kuhl)

"Em   se tratando  de fidelidade, devoção, amor, muitos  homens  estão aquém do  cão ou  do cavalo . Que maravilhoso seria se pudessem ao menos antes do julgamento final, afirmar: 'Eu tenho amado tão verdadeiramente ou sido tão decente quanto o meu cão’. E, ainda assim, os chamam de apenas animais!" 
(Henry Ward Beecher)



 "Eu não tenho dúvidas que é parte do destino da raça humana, na sua evolução gradual, parar de comer animais."
(Henry David Thoreau)

 "Até que tenhamos coragem de reconhecer crueldade pelo que ela é — seja a vítima um animal humano ou não humano —não podemos esperar que as coisas melhorem neste mundo...não podemos ter paz vivendo entre homens cujos corações se deleitam em matar criaturas vivas. Para cada ato que glorifica o prazer de matar, estamos atrasando o progresso da Humanidade."
(Rachel Carson)
 

5. Ciência
 

 
 
“Se eu tivesse outra vida, dedicá-la-ia inteiramente à luta contra a vivissecção."
(Bismark)
 


 
“Se fôssemos capazes de imaginar o que se passa, constantemente, nos laboratórios de vivissecção, não poderíamos dormir em paz e em nenhum dia estaríamos felizes e tranquilos."
(Dr. Ralph Bircher)
 

 "Pergunte para os vivisseccionistas por que eles experimentam em animais e eles responderão: "Porque os animais são como nós". Pergunte aos vivisseccionistas por que é moralmente 'OK' experimentar em animais e eles responderão: "Porque animais não são como nós.". A Experimentação animal apoia-se em contradição de lógica.”
(Professor Charles R. Magel)

 "Incêndios propositais e crueldade com animais são 2 dos 3 sinais de infância que sinalizam o potencial de um assassino serial."
[John Douglas (analista do FBI que estuda o perfil de assassinos)]

  "Jamais creia que os animais sofrem menos do que os humanos. A dor é a mesma para eles e para nós. Talvez pior, pois eles não podem ajudar a si mesmos."
(Dr. Louis J. Camuti)
 

 
 

 
 “Cães amam seus amigos e mordem seus inimigos, bem diferente das pessoas, que são incapazes de sentir amor puro e têm sempre que misturar amor e ódio em suas relações."
(Sigmund Freud)

 


"Entre 135 criminosos, incluindo ladrões e estupradores, 118 admitiram que quando eram crianças queimaram, enforcaram ou esfaquearam animais domésticos."

[Ogonyok (1979 - Soviet anti-cruelty magazine)]

   
 




"Não há diferenças fundamentais entre o homem e os animais nas suas faculdades mentais... os animais, como os homens, demonstram sentir prazer, dor, felicidade e sofrimento."
(Charles Darwin)



 

"A Vivissecção é bárbara, inútil e um empecilho ao progresso científico."
[Dr. Werner Hartinger (Cirurgião, Alemanha, 1988)]
 
 

6. Destino da espécie humana

 
“Enquanto o homem continuar a ser destruidor impiedoso dos seres animados dos planos inferiores, não conhecerá a saúde nem a paz. Enquanto os homens massacrarem os animais, eles se matarão uns aos outros. Aquele que semeia a morte e o sofrimento não pode colher a alegria e o amor."
(Pitágoras)

 

 "Não podemos ver a beleza essencial de um animal enjaulado, apenas a sombra de sua beleza perdida."
(Julia Allen Field)

 "São Francisco de Assis os chamava de nossos irmãos inferiores, porém, inferiores somos nós quando não os estimamos."
(Clóvis Hugues)

 


7. Sacrifícios de animais

 
De que serve a mim a multidão de vossos sacrifícios?, diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiros, nem de bodes, quando vindes para comparecer perante mim. Quem requereu de vós isto? Que viésseis pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs."
 (Isaías 1:11-13)


 
"Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos."
(Oséias 6:6)
 
 

 “Os sacrifícios foram inventados pelo homem como pretexto para comer carne."
 (Clemente de Alexandria) 
 
 
 
"O Senhor é bom para todos, e as suas misericórdias estão sobre todas as suas criaturas."
(Salmos 145:9)




 
"Se os matadouros tivessem paredes de vidro, todos seriam vegetarianos. Nós nos sentimos melhores com nós mesmos e melhores com os animais, sabendo que nós não estamos contribuindo para o sofrimento deles."
(Paul e Linda McCartney)
 
 
 
 



                                                                                            Continua ...

 
 

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quarta-feira, 17 de junho de 2015


          ADULTOS OU CRIANÇAS  ?

                            Baixar a Maioridade Penal?

                                         
 
 
    

1. Outra vez a menoridade

          Nem sempre o legislador brasileiro se fixou em 18 anos para a menoridade penal, como estabelecido no Códex de 1942, ainda vigente, com várias alterações, mas, não, nesse específico ponto.

          E as ondas de exigência para a redução da idade penal vêm sempre, no Brasil, e no mundo, quando também surgem ondas de dificuldades sociais, as quais se refletem na sua parte mais frágil: justamente a infância e a juventude, ainda sem condições de se defenderem sozinhas e cujo comportamento em desconformidade com normas legais e sociais se dá porque elas ainda não lhes foram totalmente ministradas (eis que o Homem não nasce sabendo, tem apenas a capacidade de aprender). Esse comportamento, então, aparece de forma gritante frente aos adultos, de memória fraca, como todos sabem, e se esquecem de que não ministraram bem as lições como o deveriam ter feito. E, sem capacidade de ter respostas para lhes dar, porque, talvez também desconheçam as normas ou  nunca tiveram interesse de ministrá-las, quando ainda era tempo, procuram transferir para os pobres desviados a sua própria responsabilidade.
          Sim, em resumo, esses jovens, praticamente crianças, já entrados na delinquência, são  as vítimas, são o grito na cara de todos que não tiveram   responsabilidade em cumprir seu dever de ensinar as boas maneiras — obrigação não só como pais e mães, mas, também, como representantes da geração que deverá deixar os conhecimentos para a próxima, a fim da perpetuação da espécie. Devo fazer exceção a pessoas e organizações que se esforçam, tais como Dons Quixotes contra moinhos de ventos, procurando alertar, aqui e ali, autoridades,  emocionar grandes empresas para patrocinarem projetos para estudos e ações científicos de contenção da violência, sem conseguirem eco a seus pedidos. E, também, a outros, que, individualmente, dão do pouco que possuem para dividir com alguns que podem ajudar, ao menos com o seu amor e solidariedade, o que já é muito.

          E vêm, então, agora, ávidos de soluções “estilo avestruz”, de enterrarem a cabeça na terra para esperar passar a tempestade, quem nada fez para contê-la, quando podia e devia e foi anunciada (era só conferir as estatísticas dos órgãos nacionais e internacionais).  Temos, então, os eternos arautos da triste ”solução canetada”, que nada resolve, apenas piora – isto é —, baixando-se uma lei, ou um decreto-lei, pretender modificar a evolução natural do indivíduo ou, como em um “abre-te, Sésamo”, reverter toda uma situação que lhes cabia ter resolvido em anos de administração e não o fizeram. Porque atitudes necessárias para que sejam executadas as providências para se evitarem as situações críticas, existem, são muito boas, e determinam a criação dos órgãos, colégios, creches, patronatos e outras providências. Elas são o trabalho do dia a dia, do hora a hora, do acompanhar, do fiscalizar, do incentivar — que digam isso países há poucos anos bem mais atrasados do que o nosso como o Camboja, a Coréia do Sul também arrasados pela guerra, mas, hoje, com uma juventude sadia de mente e corpo, como propunham os antigos e sábios gregos.

            Mas, se ainda perguntam, onde erramos? Na execução das leis é que está o problema, e, não, na idade dos meninos. Já dizia Gibran Kahlil Gibran em seu belo livro “O Profeta”, sobre os homens :

                               Vocês, homens, adoram fazer leis,
                              Mas adoram, muito mais, não obedecê-las.

           Procuremos não errar mais, ainda, com uma “canetada”, colocando o seu voto “SIM” para retirar mais ainda de pobres “projetos de seres humanos”, que são  crianças e adolescentes, muitos deles manipulados por aproveitadores do seu  abandono,  já tão desprovidos de tudo. Que, pelo menos,  haja o bom senso e se dê  esperança de que um Governo (os Três Poderes) entenda e atenda os reclamos das vozes das ruas e, comece a mudar  o status quo a começar por aí, e determine que sejam cumpridas as leis  de execução  do ECA  e, no que ele é falho, pois ele o é, como já tenho  falado, que seja corrigido. Nada  de palavras, apenas, palavras. O que nos falta é arregaçar as mangas e fazer. O “fazer” não é fácil nem bonito, mas, certamente, é o que serve à nossa Pátria e nos dará o direito de, amanhã, sem nenhum pudor, podermos dizer que ajudamos a construir o nosso futuro!  

           Cumpridas todas as determinações de execução das leis, levados a efeito os necessários exames nos indivíduos sob sua tutela é que se poderá aquilatar a responsabilidade do menor reeducando e, não, colocando-o mais abandonado, ainda, dentro de cárceres, onde não terá completada a sua formação moral de cidadão, pois não estará mais sob a proteção de um código de menores. Trará gastos enormes para o Tesouro Público, para nenhum resultado.
 

 2. E, além do mais, data venia, é cláusula pétrea constitucional.






           Em 1963 o grande jurista Nelson Hungria apresentou um projeto que não chegou a se transformar em lei, que previa o critério    subjetivo e psicológico para reduzir  a responsabilidade penal para  16 anos.
           O Código Penal de 1969, sancionado pelo Decreto-Lei nº. 1.004/69, inspirado no chamado Projeto Hungria, orientou-se no mesmo  sentido de alterar esse limite para 16 anos, então  segundo um paradigma biopsicológico individualizado, isto é, se  o delinquente, submetido a uma avaliação psicológica, demonstrasse desenvolvimento psíquico suficiente para fornecer-lhe o entendimento  do caráter ilícito da ação criminosa praticada, teria o tratamento penal concedido aos maiores de 18 anos, ou seja, deixaria de submeter-se ao disciplinamento do  Código de Menores para ser alcançado pelas penalidades impostas pelo Código Penal. Expedido em regime de exceção política vigente  desde 1964, em que a proteção da ideologia política se sobrepunha à dos direitos humanos insculpidos na Constituição de 1946, sob a alegação de proteção da sociedade contra filosofias prejudiciais à liberdade, orientou-se no sentido dessa interpretação. Contudo, esse diploma legal mereceu uma enorme repulsa da sociedade, notadamente  dos juristas,  por ser uma cláusula pétrea; e, mesmo um regime de exceção não  ousou tocá-la, o que levou à sua não aplicação, pois não entrou em vigor, mesmo tendo sido encerrada a  vacatio legis.

          Desde 2011, quando escrevi  a 1ª. edição do livro Delinquência Juvenil, Infraestrutura da Criminalidade Adulta, já estava voltando essa ideia reducionista, apesar de restaurada a plena democracia em nossa Pátria, agora não mais sob a argumentação dos governos militares, mas em decorrência de problemas planetários e  brasileiros de violência generalizada, que estão tendo o seu clímax nestes dias e a população, desconhecedora dos  princípios científicos que orientam os legisladores a estabelecerem um parâmetro de idades para determinar um tempo para o ser humano estar  apto a assumir responsabilidades penais, volta a pressionar a classe política para fazer a redução não conseguida nas outras ocasiões.
          É de se recordar que, desde as Ordenações Manuelinas, que vigoraram no Brasil Colônia enquanto esteve sob o jugo de Portugal, pelos anos de 1500, já  os legisladores, apesar de não possuírem uma Ciência tão evoluída quanto a nossa, chamavam a atenção para o importantíssimo fato de que o ser humano é um animal que nasce  desprovido de conhecimento, a não ser os básicos para a sua sobrevivência mínima dos primeiros  dias e tem a capacidade de apreensão e compreensão, que outros não possuem, embora não venham ao mundo aptos a cuidarem de sua subsistência completa. E, por isso, faziam uma gradação  de responsabilidade  entre  menores de 12 a 18 anos de idade para aplicação de determinadas penalidades, sempre adequadas às funcionalidades e costumes da época, cuidando, de forma branda, os mais  novos, órfãos e pobres e desvalidos. 

          Os problemas do período de  entre guerras da primeira metade do século XX,  foram o caldeirão dos grandes ingredientes que levaram a juventude para o desvio de comportamento conforme as normas sociais e jurídicas, que veio aumentando ao se  amoldar às peculiaridades existenciais decorrentes do segundo pós-guerra e da evolução científica extraordinariamente rápida e esmagamento das classes pobre e operária. Por outro lado, na ocasião havia grandes humanistas e cientistas do comportamento no mundo e o Brasil  obteve um Código de Menores,  a par das Nações mais evoluídas da época. As determinações nele eram executadas e acompanhadas, o que facilitava a recuperação dos menores, através de uma infraestrutura  atuante do Estado para acolhê-los e instruí-los, tanto  em conhecimentos intelectuais(principalmente técnicos), quanto morais e éticos de convivência em sociedade (tendo à frente Mello Matos, o próprio  autor e Oswaldo Cruz). O cumprimento do contexto estabelecido para a execução da Lei,  pelos governantes e durante umas duas gerações, fez com que, pelo menos até os meados dos anos sessenta do século passado  não houvesse problemas  acima da expectativa em uma sociedade pacificada.  Além do mais, a população aumentou muito e, portanto, a concorrência, em tudo. Tudo isso pode ser comprovado em estatísticas, tanto em meu poder para incluir em pesquisa comparada e, mesmo, na Internet.
 
3. Conclusão

          Não será uma sociedade em crise ou anômica (um episódio anormal) que irá determinar se um ser humano normal (eis que se  a regra do Código Penal for alterada haverá o preceito genérico para todos da sociedade)  deixou de se tornar  responsável  aos 18 anos e passou a sê-lo aos 16. Se for assim, quando estivermos perto do fim, talvez já estejamos até condenando à morte em "berços elétricos" os bebês que nasçam desta ou daquela forma que julgarmos contrárias às normas que então estarão estabelecidas — e teremos voltado à barbárie.
          Mas, de alguma forma, após estudos científicos multidisciplinares a serem realizados, talvez cheguemos à conclusão de uma evolução no ser humano, capacitando-o, em condições normais,  de modo mais rápido no tempo, a novas funções, pela rapidez das informações recebidas. E é isso que, no meu livro, já citado (página 44) indico:

                  É de nossa apreciação que, mais cedo ou  mais tarde, mesmo sem uma interferência direta do poder constituinte, quer originário, quer derivado, ainda nesses vinte anos iniciais do século XXI, haverá uma nova conceituação legal da responsabilidade  penal do menor, por imposição do desenvolvimento tecnológico da humanidade:  as novas tecnologias de comunicação, aliadas à  globalização das relações comerciais e políticas, têm possibilitado aos jovens menores de 18 anos o acesso, cada vez maior, a uma interferência ativa no cenário dos direitos e obrigações dela decorrentes, sem representação. Isso lhes impõe, como corolário jurídico, a responsabilidade penal pela inobservância das leis que as regulam, quer de direito privado, quer de direito público, nacionais ou supranacionais. Se não houver  essa redução de forma constitucional, certamente deverá haver uma revisão da Lei Especial, à semelhança das medidas  previstas no art. 69, combinado com o art. 71, do Código de Menores de  1927, referidos anteriormente. Não será, com certeza, um retrocesso ou um desatendimento aos Direitos Universais da Criança, mas uma mitigação à “doutrina da proteção integral”, que não pode concorrer, de qualquer sorte, para criar situações de facilitação da criminalidade e de insegurança nas relações civis.
Esperemos, assim, resolver o problema de uma forma  eficaz e que seja  benéfica para todas as partes envolvidas.
            
                    

sábado, 17 de janeiro de 2015


MEDITAÇÕES 2014-2015                

SOBRE  LIMITES,  NA DEMOCRACIA  OU  NÃO


                        


             
                       Face aos acontecimentos cada vez mais  agressivos entre seres humanos, ou provocados por eles, que têm sido exacerbados, notadamente no decorrer do ano que se encerrou recentemente e já no início  deste que mal se iniciou, tenho  me detido em preocupações sobre a nossa individualidade ante a pluralidade de  personalidades  em nosso entorno.  E tudo, em decorrência de como deveria ser o modo de sentir e pensar ideal das pessoas em geral, para que houvesse um bem-estar generalizado na existência  das comunidades  em nosso Planeta, pois, de acordo com um entendimento genérico, foi para tanto que o ser humano decidiu privar-se de  uma liberdade individual ilimitada em seu estado natural. 
                        Ao meio desses profundos pensamentos, fui colhida, como a maioria das pessoas do mundo, pelos tristes acontecimentos em Paris, na França, com o trágico desfecho pelo ataque aos componentes do jornal  de edições satíricas  dirigidas às religiões mais importantes da atualidade, o Charlie Hebdo.
 
                        Ainda muito chocada com as primeiras notícias, em que parecia tratar-se de uma retaliação feita por dois jovens franceses de origem oriental e praticantes da religião islâmica, pretendendo vingar insultos tidos por eles como irreparáveis contra o seu profeta e fundador, através de suas charges, em uma edição recente, sendo todas as vítimas cartunistas que operaram nesses desenhos e nos diálogos que os acompanham, procurei analisar os fatos, para verificar se havia  circunstâncias antecedentes preparatórias de tão horrível tragédia, ou se teria sido algo de improviso, ato tresloucado de anarquistas de momento.
                        Com o passar dos dias, a comoção mundial foi muito grande, eis que o atentado, terrorista sob todos os pontos de vista, até mesmo assim reconhecido por clérigos da religião que os jovens alegaram professar e  defender, foi terrível, contra as normas da civilização moderna, que tem os códigos jurídicos e as cortes judiciais apropriadas para a punição dos crimes contra as religiões, a nível nacional e internacional. E, acima de tudo, foi um crime contra a vida, hediondo, com requintes de crueldade. Não estamos mais na época da justiça privada.  E, humanamente, não apenas eu, mas a grande maioria dos seres civilizados, pelo menos dos que assim se consideram, além de estarmos solidarizados com as famílias das vítimas,  não concordamos com uma solução desse teor para  a composição de um conflito que envolve contextos muito mais profundos do ser humano do que uma agressividade momentânea, mas, isto sim, o âmago do sagrado da sua existência. Sim, aquela parte constituinte da Humanidade   que a faz  procurar evolução e a conduz, desde tempos imemoriáveis, da condição de um simples símio, como nos informa Darwin, até as conquistas de hoje, e a nossa pretensão de chegarmos, em breve,  a viajantes do Cosmos.
                        Acaso desejamos chegar às fronteiras que nosso Planeta faz com o restante do Universo, do qual mal conhecemos a vizinhança próxima, isto é, a Lua e os planetas irmãos, com essa carga de xenofobismo, intolerância, falta de confiança na justiça humana para resolver nossas contendas, falta de conhecimento de onde se iniciam nossos direitos e onde eles terminam? Acaso desejamos chegar ao Cosmos e levar os horrores de nossas guerras, que levam à destruição, às doenças, às pragas morais, como  a prostituição, a prevaricação, a corrupção, ao assassinato, à destruição da Natureza, ao desrespeito pela coisa alheia,  ao desamor, ao ódio, à falta de limites? Acaso desejamos deixar para sempre, no Universo, a nossa marca de  demolidores, de destruidores de civilizações, de pragas insolentes da morte e da desolação? Seremos acaso uma horda moderna de gafanhotos gigantes que nos nutrimos e nos fortalecemos de todas as insolências e perversidades imagináveis em cérebros degenerados, para, a seguir, disseminar essa grande, essa horrível experiência de terror que estamos disseminando em nosso querido berço planetário?
                        Paremos um pouco, pensemos.  Isso tudo que aconteceu não foi algo repentino. Não foi um “blow-up” de uma lâmpada que se acende em um momento histórico para flagrar uma situação inusitada de choque de civilizações. Nós, os ocidentais e os orientais, existimos há muitos séculos, já fomos e deixamos de ser povos muito prósperos e civilizações evoluídas, tornamos a sê-lo, ciclicamente, e estamos todos, neste momento, em dificuldades, tanto econômicas quanto emocionais. Toda a Humanidade passa por condições materiais e imateriais que as religiões têm previsto como “tempos difíceis”, profetas têm dito como “fins dos tempos” para nós, cientistas têm previsto como “entropia” no Universo, e, na Terra, com  a elevação da temperatura e derretimento do gelo das calotas polares. Então, é hora de nos unirmos, não para protegermos esta ou aquela ideologia ou religião ─ a exemplo do que tem ocorrido, como se pode verificar pelo estudo da HISTÓRIA ─ e o grande cientista moderno, Carl Sagan, já nos alertava nos meados do século passado: somente as espécies que foram suficientemente inteligentes para se manterem unidas é que lograram persistir  existindo em nosso Planeta.
                        Ocidentais e Orientais, a grande maioria de nós, sabemos que há um só Deus, quer lhe demos um ou outro nome,  e esse Deus é de todos nós, mesmo aqueles que ainda não chegaram a saber da Sua existência. O fato de alguém, alguns ou muitos, O negarem, não invalida Sua existência, Ele é maior, é tão grande que não pode ser visto nem Sua real natureza entendida por cérebros tão primitivos quanto os nossos. O Sagrado, dentro de nós, é inalienável, imperdível: mais cedo ou mais tarde, algum dia será despertado em cada indivíduo. Assim, por outro lado, se alguém tirar a vida de uma pessoa que ainda não conseguiu encontrá-Lo, estará também roubando-lhe o direito de  encontrá-Lo, pois não foi para tanto autorizado (somente Ele, que doou este bem, pode retomá-lo ou transferir a retomada  a outrem, diretamente, e, a procuração necessária para tanto, até hoje,  a nenhum humano foi  outorgada). Sendo assim, quem praticar homicídio, além de incorrer nas penas da lei humana, incorrerá em falta perante Ele, que, por Sua Misericórdia, distribui igualmente a todos os humanos a oportunidade de acolhê-Lo  ─ e não cabe a nós, pobres e impuras criaturas, impedir esse glorioso encontro, sob qualquer pretexto.
                        O Sagrado, no Interior de um  Ser Humano, é o fator mais importante de sua vida. É o motor que o impulsiona à procura da evolução. Se não fosse esse motor, o pobre símio que um dia  olhou para as estrelas, jamais teria tido a capacidade de sonhar  um dia chegar até elas para encontrar ali sua felicidade. Teria ficado preso à terra por onde se arrastava, contente por encontrar uma fruta em uma árvore frondosa ou algum inseto  voando pela relva para saciar seu estômago, para, mais tarde, após seu reparador repasto, praticar atos  sexuais com as fêmeas de seu harém e se multiplicar sobre o Planeta. E não cabe à nossa geração, neste momento, destruir esse sonho.
                        Foi o Sagrado no interior do Ser Humano que o transformou em Homo faber, depois, em Homo sapiens, e, então, em Homo sapiens sapiens. E, se formos suficientemente inteligentes, seremos alçados ao degrau do Homo moralis, aquele que não precisará mais da parte sancionadora da norma jurídica para agir conforme a Lei, aquele que praticará os preceitos das normas da convivência pacífica porque a sua moral e a sua ética (subjetivas e objetivas) assim lhe indicarão o caminho para a evolução completa, para que possamos realmente ser chamados de “Humano” e, não, apenas ter a sua aparência externa.
                        O que a nossa realidade de  hoje exige de nós é um posicionamento moral e ético perante o nosso semelhante. Agora, toda a Humanidade está em risco! Muita cautela, muita compreensão! Nós queremos respeito, mas os outros também querem respeito, façamos de nossa vida uma vida significativa, pensando nos outros !
                        Tudo neste nosso Mundo dos Sentidos, como o definia Platão, tem um princípio, um meio e um fim, e, portanto, um limite. Nessa definição, tudo o que existe em nossa dimensão existencial se inclui,  até mesmo conceitos imateriais, como a liberdade e a liberdade de pensamento. Para nos lembrarem disso existem: a Declaração dos Direitos do Homem, da ONU, as Leis Fundamentais (Constituições) das Nações, os Códigos Civis e Penais, regulando as relações nas sociedades. Há um postulado  geral também largamente conhecido: “o direito de alguém termina onde se inicia o de outrem”.
                         Nós que usamos a palavra, a pena, o lápis, temos muita responsabilidade, pois fazemos parte de um número de pessoas que têm acesso à mídia para falar a um grande número de ouvintes e leitores que não possuem a mesma quantidade de nossos conhecimentos, ou por serem muito jovens ou por falta de oportunidade, os quais confiam em nós e podem se influenciar  pelo que lhes dizemos, escrevemos ou desenhamos. Por isso, muito cuidado devemos ter e devemos conhecer muito bem nossos limites e os limites das coisas do mundo e das pessoas: todo poder  impõe a quem o utiliza uma grande responsabilidade (subjetiva e objetiva), oponível a nós  perante terceiros em qualquer instância e oportunidade. Ultrapassar esses limites também poderá fazer-nos incorrer não só em penas da lei humana, como também da Lei de Deus - todo cuidado é pouco!
                        Quando alguém possui acesso laico ou religioso a jovens e pessoas que necessitam do ensino e orientação sobre coisas do mundo profano ou religioso, deve lembrar-se piedosamente dos inúmeros servos de Deus que vivem neste Mundo e que confiam nele para  comunicar a Sua palavra e desviá-los do caminho do mal. Estaremos rezando permanentemente, do modo que nos foi ensinado pela nossa tradição, mas todos irmanados no mesmo respeitoso sentimento de fé,  no sentido de  que  todos os Mestres, Governantes e Religiosos possam conseguir a necessária inspiração e serenidade   para lhes mostrarem as setas do bom caminho, as chaves das portas da sabedoria e a receita do alimento que fortalece o espírito, para que possamos encontrar a harmonia e a paz em nosso Planeta.
                       Por fim, lembremo-nos do iluminado ensinamento de Rousseau:                      
               
                                  

                  
                                             
     
                         A passagem do estado de natureza para o estado civil determina no homem uma mudança muito notável, substituindo na sua conduta, o instinto pela justiça, e dando às suas ações, a moralidade que antes lhes faltava. É só então que, tomando a voz do dever o lugar do impulso físico, e o direito o lugar do apetite, o homem, até aí levando em consideração apenas sua pessoa, vê-se forçado a agir baseando-se em outros princípios e a consultar a razão antes de ouvir suas inclinações.
                        ...
                O que o homem perde pelo contrato social é a liberdade natural e um direito ilimitado a tudo quanto aventura e pode alcançar. O que ele ganha é a liberdade civil e a propriedade de tudo que possui. A fim de não fazer um julgamento errado dessas compensações, impõe-se distinguir entre a liberdade natural, que só conhece limites nas forças do indivíduo, e a liberdade civil, que se limita pela vontade geral. (Jean Jacques Rousseau, in “Do Contrato Social ou Princípios do Direito Político”, Livro Primeiro, Capítulo VII).